Notícia

Mecanismos de defesa das plantas contra ataque de insetos ajudam a agregar resistência a sementes comestíveis

Estudo pretende reduzir as perdas de grãos no armazenamento, quando podem atingir 70% do total estocado

Pixabay

Fonte

Faperj | Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

Data

terça-feira, 16 fevereiro 2021 13:50

Áreas

Agricultura. Agronomia. Biotecnologia. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Ciências Agrárias

Ao observar a natureza é possível constatar que algumas plantas são atacadas por determinados insetos, outras não. Algumas plantas possuem mecanismos de defesa tão eficazes que podem “emprestar” essa vantagem a outras plantas, em especial sementes utilizadas no consumo humano ou animal, como feijões, milho etc.

Estudar os mecanismos de defesa das plantas é a linha de pesquisa que percorre a Dra. Antônia Elenir Amâncio Oliveira, doutora em Biociências e Biotecnologia , do Laboratório de Química e Função de Proteínas e Peptídeos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Seu trabalho “Influência da domesticação das plantas nas defesas naturais das sementes: estudo comparativo dos mecanismos de defesa de espécies cultivadas e selvagens contra insetos-praga da agricultura” (doi.org/10.1016/j.pestbp.2021.104782) busca entender os mecanismos naturais de defesa das plantas.

São estudos que podem contribuir para a diminuição das perdas durante no período pós-colheita das sementes, ou seja, durante o armazenamento, perdas que chegam a até 70%. Dessa forma, a pesquisa também contribui para diminuir o uso de inseticidas por parte dos agricultores.

“A população mundial cresce a uma velocidade e proporção bem maiores do que a produção de alimentos. Como não podemos nos dar ao luxo de perder os alimentos estocados, usamos inseticidas que, muitas vezes, são extremamente danosos ao meio ambiente e ao ser humano”, diz a pesquisadora.

Filha de agricultor, a Dra. Antônia nasceu em Quixadá, município localizado no sertão central do Ceará, e conviveu desde cedo com as dificuldades enfrentadas pela lida do pai nas lavouras de feijão, uma das poucas que resistem à seca extrema do sertão. “O homem do campo é um apaixonado pelo que faz, mas, em sua maioria, se não estiver associado a uma cooperativa, é um sobrevivente”, afirma a Dra. Antônia, explicando que a última geração de lavradores da família terminou com seu pai, falecido há cinco anos, já que nem ela e nem os irmãos permaneceram no campo.

Contemplada no programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, a pesquisadora desenvolveu um projeto guarda-chuva que tenta incluir todos os trabalhos sobre o assunto que vêm sendo desenvolvidos no seu grupo. No seu caso, foram integradas duas vertentes: a primeira voltada para o estudo de sementes de feijão.

Em colaboração com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Meio-Norte, são estudadas cultivares de feijão-de-corda ou caupi (Vigna unguiculata), o preferido no cardápio do Nordeste. Alguns resultados desse estudo já foram publicados em artigos, nos quais são descritos dentre nove cultivares de feijão, melhorados pela Embrapa, três que apresentavam compostos tóxicos para repelir insetos. Um desses cultivares foi escolhido para o aprofundamento das pesquisas e os resultados obtidos acabam de ser publicados.

Em colaboração com um grupo de pesquisa do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias da Uenf, que desenvolve um programa de melhoramento do feijão comum (Phaseolus vulgaris), o mais consumido no Sudeste, entre eles o preto e carioquinha, o trabalho visa a identificação de cultivares resistentes a insetos.

Na outra vertente do seu trabalho, a Dra. Antônia estuda a toxicidade de algumas sementes de espécies nativas para insetos e que, portanto, possuem repelentes naturais. “As pragas selecionam alimentos que não as fazem mal”, sendo assim, existem plantas hospedeiras de determinadas pragas. “O que tentamos identificar é o que uma semente possui que faz com que o inseto não queira comê-la”, esclarece a Dra. Antônia, que se graduou em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Ceará (UFC).

De acordo com a pesquisadora, o problema é que quando o homem domestica uma espécie para transformá-la em adequada para a alimentação, naturalmente já selecionou uma semente que não é tóxica, fazendo com que, muitas vezes, ela perca sua defesa contra insetos. No entanto, em busca da produção em larga escala, que seja suficiente para alimentar a população, os grãos e sementes passam pela estocagem, fase em que insetos, como gorgulhos ou carunchos mais atacam as sementes.

Por isso, a pesquisadora diz que o objetivo desses projetos é estudar sementes que sejam comestíveis, mas que possuam defesas naturais contra o ataque de insetos. A pesquisadora ressalta, entretanto, que a caracterização da suscetibilidade ou resistência da semente ao ataque de pragas é apenas uma das características desejáveis em uma semente, que ainda precisa agregar outros atributos como alta produtividade, não ser muito exigente em termos nutricionais de solo etc.

No geral, acrescenta, há outras características igualmente importantes, que deverão ser observadas antes que essas culturas sejam consideradas adequadas para a produção em larga escala.

Acesse a notícia completa na página da Faperj.

Fonte: Paula Guatimosim, Faperj.  Imagem: Pixabay.

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