Notícia

Extrato de casca da romã pode potencializar revestimento alimentar

O extrato da casca da romã contém compostos fenólicos, que são moléculas com atividade altamente antioxidante

Pixabay

Fonte

Jornal da USP

Data

sexta-feira, 3 julho 2020 10:05

Áreas

Biotecnologia. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Engenharia de Alimentos

Quando uma pessoa come romã, geralmente a casca vai para o lixo. Mas já parou para pensar que esse resíduo pode ser aproveitado de outras maneiras? Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, mostrou que a utilização do extrato da casca da romã tem o poder de potencializar revestimentos alimentares à base de quitosana. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Carbohydrate Polymers.

A pesquisadora Mirella Bertolo, graduada em química e autora do trabalho, conta que teve a ideia de utilizar um material que pudesse ser comestível com propriedades boas para ser aplicado em revestimentos de alimentos. O extrato da casca da romã foi escolhido por conter compostos fenólicos, que são moléculas com atividade altamente antioxidante que possuem um anel benzênico e uma hidroxila ligada à ele.

“Eu já tinha a quitosana e a gelatina, e para melhorar suas propriedades quis aproveitar o extrato da casca da romã, uma fruta com cultivo muito amplo no Brasil”, disse a pesquisadora. O grupo do laboratório de biopolímeros e biomateriais em que trabalhou no IQSC já utilizava a quitosana, um açúcar encontrado, principalmente, em animais marinhos como crustáceos e moluscos.

O extrato da casca da fruta foi incorporado à quitosana e à gelatina em quatro concentrações diferentes. “Como era um material novo para mim, não sabia o quanto de extrato seria suficiente para conseguir as propriedades que queria”, explica a pesquisadora.

Para caracterizar o revestimento foram feitos ensaios reológicos, que medem a viscosidade do material, e antioxidantes. “Fizemos uma análise de fenólicos totais e observamos que, quanto mais extrato, mais fenólicos encontrados no revestimento, o que demonstrou uma incorporação efetiva. Depois partimos para o ensaio contra o radical chamado DPPH”, conta a pesquisadora Mirella. “O DPPH é uma espécie altamente reativa que promove oxidação. Colocamos o extrato com o radical e avaliamos o quanto ele conseguia inibi-lo: em quanto tempo, por exemplo, e quanto do extrato era preciso para inibir certa quantidade de DPPH.” Os resultados mostraram-se promissores, e a quantidade de revestimento com extrato necessário para inibir 50% do radical DPPH foi de 20 miligramas.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página do Jornal da USP.

Fonte: Marcelo Canquerino, Jornal da USP.  Imagem: Pixabay.

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