Notícia

Tratamento com dieta e exercícios reverteu o diabetes tipo 2 em 61% dos pacientes em estudo clínico

A hipótese do estudo é que o acúmulo de gordura abdominal que prejudica as células produtoras de insulina pode ser reversível com a perda de peso

Freepik

Fonte

Universidade Cornell

Data

quarta-feira, 17 junho 2020 10:55

Áreas

Nutrição Clínica. Saúde Pública

Um tratamento intensivo de um ano, com modificação do estilo de vida de pacientes com diabetes tipo 2, dieta hipocalórica e exercícios físicos, resultou em significativa perda de peso média e remissão do diabetes para a maioria dos pacientes, em um estudo clínico liderado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Cornell no Qatar.

No estudo, cujos resultados foram publicados na revista científica Lancet Diabetes and Endocrinology, a perda média de peso em um ano para pacientes que receberam a intervenção no estilo de vida foi de cerca de 12 kgf. Os pacientes de um grupo controle, que receberam tratamento padrão para diabetes com medicamentos, perderam apenas 4 kgf em média. Cerca de 61% dos pacientes que receberam a intervenção no estilo de vida não tinham mais sinais de diabetes após o estudo de um ano, em comparação com apenas 12% do grupo de tratamento padrão.

“Eu acho que é uma verdadeiro divisor de águas para o tratamento do diabetes tipo 2”, disse o pesquisador principal Dr. Shahrad Taheri, professor de Medicina da Universidade Cornell no Qatar e professor de Medicina e Epidemiologia da Universidade Cornell nos Estados Unidos. “Isso mostra que, se você perder peso cedo o suficiente no processo da doença, poderá reverter a doença e, assim, evitar todos os outros problemas de saúde e reduções de qualidade de vida que a acompanham”.

O tratamento padrão atual para o diabetes enfatiza os medicamentos para controlar o açúcar no sangue, o colesterol e a pressão sanguínea – medicamentos que a maioria dos pacientes tomará de modo contínuo. A suposição subjacente a essa abordagem centrada em medicamentos é que as células secretoras de insulina no pâncreas que não funcionam adequadamente no diabetes são geralmente irremediavelmente danificadas no momento do diagnóstico. O Dr. Taheri e outros pesquisadores da área propuseram que fosse dada mais ênfase à perda de peso, especialmente para pacientes mais jovens que desenvolveram diabetes há pouco tempo. A hipótese deles é que o acúmulo de gordura abdominal que prejudica as células produtoras de insulina pode ser reversível com a perda de peso – muito mais facilmente do que os médicos supõem.

“Este estudo mostra que a perda de peso pode funcionar e pode ser sustentável –  o que importa é que houve uma remissão de 61% do diabetes, o que é muito sigfnificativo”, disse a co-autora do estudo, Dra. Mary Charlson.

O estudo, conhecido como DIADEM-1, foi realizado em um centro de atendimento primário e em um centro de atendimento comunitário em Doha, no Qatar. Estima-se que a prevalência de diabetes no Qatar seja superior a 17% e a taxa de obesidade superior a 40%.

O Dr. Taheri organizou o estudo com seus colegas em 2017. Eles incluíram 158 pacientes – três quartos deles homens – cuja idade média era de 42 anos e o peso médio de 101 kgf. Todos tinham diagnóstico de diabetes tipo 2 há menos de três anos e todos eram de ascendência do Oriente Médio ou do norte da África e moravam no Qatar.

Os pacientes foram randomizados para receber o tratamento padrão, com ênfase em medicamentos, ou uma intervenção intensiva no estilo de vida (ILI). Este último grupo supervisionado por nutricionistas, começou com uma dieta de 12 semanas, com baixo teor calórico, do tipo que força os participantes a queimarem reservas de gordura para obter energia e, assim, perder peso rapidamente. Em uma fase subsequente de 12 semanas, os participantes substituíram gradualmente os alimentos do programa de dieta por uma dieta mais usual, porém saudável e com restrição de calorias, que os participantes foram treinados a seguir pelo restante do período de estudo de um ano. Os treinadores incentivaram os participantes do grupo ILI a caminhar pelo menos 10.000 passos por dia e gastar pelo menos 150 minutos por semana fazendo exercícios físicos.

Os participantes do grupo ILI pararam de tomar seus medicamentos para diabetes no início do estudo e, com base em avaliações clínicas, os médicos ajustaram as doses ou descontinuaram qualquer medicamento para baixar o colesterol ou a pressão arterial que esses pacientes estavam tomando.

Aos 12 meses, os participantes deste grupo perderam em média 12 kgf, 61% não eram mais considerados diabéticos e 33% tinham níveis de açúcar no sangue completamente normais – todas essas medidas com resultados melhores do que aqueles do grupo controle. Em média, os participantes do ILI reduziram para apenas dois medicamentos cada, em comparação com cerca de cinco para os participantes do grupo controle.

Um estudo clínico recente no Reino Unido, conhecido como estudo DIRECT, teve um desenho semelhante e alcançou uma grande perda média de peso e uma taxa de remissão de 46% do diabetes após 12 meses. O Dr. Taheri observa que os resultados do DIADEM-1 podem ter sido melhores porque seus participantes eram cerca de uma década mais jovens, em média, e tinham diabetes há menos tempo.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia na página da Universidade Cornell (em inglês).

Fonte: Universidade de Cornell. Imagem: Freepik.

 

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