Notícia

Semente do urucum na prevenção da obesidade

Tecnologia descreve um complexo oleaginoso extraído da semente do urucum capaz de prevenir a obesidade e comorbidades

Wikimedia Commons

Fonte

Jornal da UNICAMP

Data

sexta-feira, 4 junho 2021 10:00

Áreas

Biotecnologia. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Engenharia de Alimentos. Nutrição Clínica. Nutrição Funcional. Saúde Pública

Natural da América Tropical, cor fortemente avermelhada e muito utilizada pelos brasileiros, a semente de urucum foi estudada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para ser utilizada de uma forma bem diferente do que a aplicação como tempero na culinária. O urucum também pode atuar na prevenção do ganho de peso e de comorbidades oriundas da obesidade. “Encontramos no extrato um potencial na redução de inflamações geradas pela obesidade, que está na gênese do desenvolvimento de comorbidades”, explica o Dr. Mário Roberto Maróstica Júnior, professor que compõe a equipe de estudos da tecnologia.

Essa inovação não ficou restrita aos conhecimentos da academia, a tecnologia foi licenciada para a startup Rubian Extratos no ano de 2015, com o auxílio da Inova Unicamp, para o processo de obtenção do complexo oleaginoso por tecnologia de extração supercrítica. Posteriormente, com os benefícios comprovados, em 2019, foi realizado um segundo depósito de patente junto ao INPI, em co-titularidade Rubian e Unicamp, também com apoio da Inova Unicamp, e licenciado novamente para a startup.

A Rubian Extratos, fundada em 2015 e graduada na Incamp, atua no desenvolvimento de produtos e processos inovadores na área de bem-estar e saúde e possui como principal objetivo levar tecnologias desenvolvidas na Universidade para a sociedade em forma de produtos. Eduardo Aledo, sócio-fundador da startup, explica que a tecnologia ainda está em estudos e que esse tempo é necessário para comprovar a segurança e a eficácia do complexo, mas já foram encontrados resultados em experimentos in vivo de obesidade induzida por dieta, que mostraram os benefícios na redução e na prevenção da obesidade. “Estamos contando com o apoio do Programa PIPE II, da Fapesp, e em fase de melhorias no processo extrativo, testes pré-clínicos e testes na parte toxicológica”, conta.

Os riscos da obesidade

De acordo com dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde 2019 realizada pelo IBGE, a obesidade acomete cerca de 41 milhões de brasileiros acima de 18 anos, o equivalente a uma em cada quatro pessoas.

A obesidade também é precursora do desenvolvimento de diversas doenças, como hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Com isso, a tecnologia proposta pelos pesquisadores, que é um complexo oleaginoso extraído da semente do urucum (Bixa orellana), possui forte potencial em ser aplicado como insumo ou produto final de suplementos e medicamentos que podem ser indicados para essas milhões de pessoas.

O Dr. Maróstica e Aledo explicam que o complexo que está sendo estudado possui ação anti-inflamatória e um papel antioxidante, pontos essenciais para o tratamento de comorbidades causadas pela obesidade. “Encontramos resultados promissores na redução dos índices lipídicos relacionados ao colesterol, redução da gordura no fígado e uma modulação na parte glicêmica”, afirma o sócio-fundador da Rubian Extratos.

Processo sustentável e seguro

A obtenção do extrato é um processo sustentável, extraído por fluido supercrítico, no qual o CO2 é conduzido a pressão e temperatura específicas, ou seja, na condição supercrítica, obtendo-se assim seletivamente os bioativos no complexo oleaginoso. Esse método é uma técnica limpa, pois, como conta Aledo, “não utiliza solventes tóxicos à saúde, não degrada os bioativos e é feito com gás carbônico (CO2), que posteriormente é recuperado para ser reutilizado”.

Em questão da segurança do extrato, foram realizados alguns testes de toxicidade por meio da atividade das enzimas hepáticas (fosfatase alcalina, AST, ALT), para verificar se apresentava algum efeito colateral do uso do complexo oleaginoso para a saúde do paciente. Os resultados preliminares mostram que o produto pode ser aplicado sem risco. “Não encontramos efeitos colaterais na dose testada”, diz Aledo.

Expectativas para o complexo

A startup, que já lançou um produto ao mercado, oriundo de uma tecnologia também licenciada da Unicamp, busca inserir o extrato oleaginoso extraído da semente do urucum no mercado em diferentes formulações nutracêuticas, alimentícias e farmacêuticas. “É muito provável que o produto vá ao mercado consumidor como um pó ou como um óleo encapsulado, com a dose diária recomendada”, expõe Aledo.

Acesse a notícia completa na página do Jornal da UNICAMP.

Fonte: Caroline Roxo, Agência de Inovação – Unicamp.  Imagem: Wikimedia Commons.

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