Notícia

Pesquisa utiliza plasma frio, processamento não térmico, para aumentar tempo de conservação da água de coco

O método em avaliação para uso na indústria alimentícia preserva o sabor e a qualidade nutricional do líquido, dispensa o uso de conservantes adicionais, impede o estrago rápido da bebida e inibe microrganismos causadores de doenças

Pixabay

Fonte

Agência UFC

Data

terça-feira, 1 junho 2021 11:00

Áreas

Biotecnologia. Ciência e Tecnologia de Alimentos. Engenharia de Alimentos

Tomar água de coco na praia é um dos prazeres do cearense, que mantém a tradição de ingerir a bebida dentro do próprio fruto. Mas a cada dia a indústria de alimentos se aperfeiçoa com o objetivo de tornar a água de coco de caixinha mais parecida com o líquido natural e ainda conservar essa bebida bastante perecível. Uma das soluções pode vir de pesquisa produzida na Universidade Federal do Ceará (UFC), que tem apostado no chamado plasma frio, processamento não térmico em avaliação na indústria alimentícia para aumentar a vida útil da bebida nas prateleiras dos supermercados.

O plasma frio é um gás produzido em laboratório que contém cargas elétricas e, por isso, transporta eletricidade. Ele mata bactérias, vírus e fungos e está sendo estudado hoje em processos de cicatrização e até em tratamento contra o câncer. Esse tipo de processamento é um método de conservação que não utiliza altas temperaturas, preservando a qualidade nutricional do alimento. Trata-se de uma inovação na indústria, podendo substituir os processamentos térmicos, como a pasteurização, os quais embora eliminem microrganismos perigosos para a saúde e retardem a deterioração dos produtos, também podem diminuir o valor nutricional deles.

Sem perder características importantes como o sabor, a água de coco processada sem a utilização de altas temperaturas pode trazer ainda benefícios à saúde humana através do aumento da atividade antioxidante da bebida, protegendo o organismo da ação dos chamados radicais livres, moléculas altamente instáveis que, em excesso no corpo, são capazes de oxidar células saudáveis. Isso é possível graças à maior disponibilidade de compostos bioativos, que melhoram as atividades e reações químicas dentro das células, como os como ácidos fenólicos e flavonoides, substâncias com ação anti-inflamatória, antioxidante e desintoxicante. Além disso, o processamento não térmico dispensa o uso de conservantes adicionais para estender a vida útil da água de coco, inibe microrganismos causadores de doenças e é capaz de inativar processos enzimáticos deteriorantes, ou seja, impede o estrago rápido da bebida.

O estudo foi conduzido pela professora Dra. Sueli Rodrigues, coordenadora do Laboratório de Biotecnologia (LABIOTEC) do Departamento de Engenharia de Alimentos, e pela pesquisadora Dra. Thaiz Rangel, que integra o Laboratório, além de professores do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais e do Departamento de Engenharia Química e publicado na revista científica Food and Bioprocess Technology com o título “Technology protective effect of natural and processed coconut water by non-thermal technologies against oxidative stress in brine shrimp (Artemia salina)” (“Efeito protetivo de água de coco não processada e processada por tecnologias não térmicas contra o estresse oxidativo em Artemia salina”). Além do plasma frio, também foram estudados, na pesquisa, outros dois tipos de processamento não térmico: o ozônio e o ultrassom.

O plasma frio é um gás instável produzido em laboratório que contém cargas elétricas e, por isso, transporta eletricidade. Ele mata bactérias, vírus e fungos e preserva a qualidade nutricional do alimento. É uma inovação na indústria, podendo substituir os processamentos térmicos

A equipe se dedica principalmente a investigar se a água de coco submetida a essas tecnologias não térmicas apresenta algum tipo de toxicidade ao organismo vivo. O foco é o plasma, gás instável que pode provocar transformações químicas nos alimentos com efeitos ainda desconhecidos para a saúde.

Ensaios de Toxicidade 

Com o objetivo de verificar se o processamento seria tóxico para os seres humanos, os pesquisadores utilizaram como organismo-teste a Artemia salina, um pequeno crustáceo que vive em lagos de água salgada e salinas de todo o mundo. “A Artemia salina em ensaios de toxicidade apresenta várias vantagens em relação a outros animais de laboratório clássicos, como camundongos, ratos e coelhos. Os principais ganhos estão relacionados ao custo e tempo dos experimentos”, explica a Dra. Thaiz Rangel.

Acesse a notícia completa na página da Agência UFC.

Fonte: Síria Mapurunga, Agência UFC. Imagem: Pixabay.

Em suas publicações, o Canal Nutrição da Rede T4H tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Canal Nutrição tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.

Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que  cadastrados no Canal Nutrição e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Nutrição, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.

Leia também

2021 Canal Nutrição | Canal de Notícias, Conteúdos e Rede Profissional em Alimentos, Alimentação, Saúde e Tecnologias da Rede T4H.

Entre em Contato

Enviando
ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account