Notícia

Dieta desempenha papel fundamental na evolução da esteato-hepatite não alcoólica para câncer de fígado

Quando alimentados com dieta rica em gordura e colesterol, camundongos que comiam demais tornaram-se obesos, diabéticos e desenvolveram NASH, que evoluiu para doenças renais e cardiovasculares e câncer de fígado

Freepik, arte

Fonte

Universidade da Califórnia em San Diego

Data

quarta-feira, 2 junho 2021 06:05

Áreas

Nutrição Clínica. Nutrição Coletividades. Saúde Pública

Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é a causa mais comum de doença hepática crônica em todo o mundo. Pacientes com DHGNA correm maior risco de desenvolver esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que causa inflamação hepática grave e crônica, fibrose e lesão hepática. Acredita-se que um paciente com NASH esteja em alto risco de desenvolver uma forma de câncer de fígado chamada carcinoma hepatocelular (HCC).

Além das intervenções no estilo de vida, atualmente não há tratamentos aprovados para NASH. Às vezes, um transplante de fígado é o único remédio.

Embora os fatores de risco para NASH (obesidade, diabetes tipo 2 e mutações genéticas como PNPLA3) e HCC (infecções por hepatite B e C, consumo excessivo de álcool e cirrose) sejam bem conhecidos, o mecanismo preciso de como o fígado gorduroso simples progride para inflamação crônica, fibrose hepática, NASH e HCC não são conhecidos.

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego), nos Estados Unidos,  descobriu em um modelo de camundongo que, quando alimentados com uma dieta ocidental rica em calorias, gordura e colesterol, os camundongos se tornaram progressivamente obesos, diabéticos e desenvolveram NASH, que progrediu para HCC, doença renal crônica e doença cardiovascular.

Os resultados publicados na revista científica Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology, mostraram que em camundongos simplesmente mudando a dieta ocidental para uma dieta normal, onde as calorias são derivadas de proteínas e carboidratos, sem colesterol, em vez de gorduras, a NASH e fibrose hepática melhoraram  e a progressão do câncer e a mortalidade evitadas.

“Enquanto os camundongos que continuaram com a dieta ocidental desenvolveram HCC e tiveram um risco aumentado de morte, 100% dos camundongos que interromperam a dieta sobreviveram ao longo do estudo sem desenvolver HCC”, disse o Dr. Debanjan Dhar, co-autor sênior do estudo e professor da Escola de Medicina da UC San Diego.

“Isso indica que NASH e HCC podem ser uma doença evitável e que a dieta desempenha um papel fundamental no desfecho da doença” completou o pesquisador.

Em camundongos não mais alimentados com a dieta ocidental, os pesquisadores também descobriram uma diminuição na gordura do fígado e melhora na tolerância à glicose – um indicador de diabetes – e vários genes e citocinas que foram afetados na NASH voltaram aos níveis e funções normais. Além disso, o Dr. Dhar e sua equipe encontraram mudanças importantes no microbioma intestinal que modulam a progressão da doença hepática.

“Embora NASH seja uma doença hepática, nossos resultados mostram que seu desenvolvimento e progressão são orquestrados por vários órgãos”, disse o pesquisador.

Uma descoberta surpreendente, disseram os pesquisadores, foi que quando eles mudaram a dieta ocidental dos camundongos com NASH para ração normal, o efeito foi mais pronunciado no fígado do que no peso corporal total.

“Isso pode significar que pequenas mudanças no fígado podem ter efeitos profundos no resultado da doença”, disse o Dr. David Brenner, MD, co-autor sênior e vice-chanceler da UC San Diego Health Sciences.

Os pesquisadores também compararam os resultados do modelo de camundongo com os conjuntos de dados de pacientes humanos, indicando que as mudanças na expressão gênica em fígados de camundongos eram semelhantes às dos humanos.

“Nosso modelo animal fornece uma importante plataforma de testes pré-clínicos para estudar a segurança e eficácia dos medicamentos que estão sendo desenvolvidos, bem como para testar o reaproveitamento de outros medicamentos que já são aprovados pela FDA para outras doenças”, disse o Dr. Dhar.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade da Califórnia em San Diego (em inglês).

Fonte: Michelle Brubaker, Universidade da Califórnia em San Diego. Imagem: Freepik, arte.

Em suas publicações, o Canal Nutrição da Rede T4H tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Canal Nutrição tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.

Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que  cadastrados no Canal Nutrição e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Nutrição, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.

Leia também

2021 Canal Nutrição | Canal de Notícias, Conteúdos e Rede Profissional em Alimentos, Alimentação, Saúde e Tecnologias da Rede T4H.

Entre em Contato

Enviando
ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account