Notícia

Como a alimentação impacta o tratamento contra o câncer de mama?

O objetivo da pesquisa foi associar o horário e o número de refeições ao longo do dia com características do consumo alimentar, excesso de peso e de gordura corporal em mulheres com câncer de mama submetidas à terapia hormonal

Freepik

Fonte

UFU | Universidade Federal de Uberlândia

Data

terça-feira, 12 outubro 2021 06:00

Áreas

Nutrição Clínica. Saúde Pública

Estudos recentes têm sugerido que o horário em que realizamos as refeições, assim como o número de vezes em que nos alimentamos ao longo do dia, podem estar relacionados com impactos negativos na saúde, como o surgimento de doenças metabólicas, obesidade e aumento no risco de desenvolvimento de câncer, como, por exemplo, o câncer colorretal e de cólon. O estudo dessas variáveis integra um tema relativamente novo, denominado crononutrição, que propõe que os nutrientes ou o horário das refeições podem interferir na regulação das funções biológicas do nosso corpo em um ciclo de 24 horas.

Estudo realizado pela pesquisadora Dra. Mariana Tavares Miranda Lima, sob orientação da professora Dra. Yara Cristina de Paiva Maia –  no Grupo de Pesquisa em Biologia Molecular e Nutrição (BioNut) e no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPCSA), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), avaliou mulheres com câncer de mama submetidas à terapia hormonal com tamoxifeno, que é uma classe de medicamentos que tem como objetivo evitar a recorrência (ou seja, a volta) do câncer de mama e que está associado a diversos efeitos adversos negativos, incluindo obesidade.

O objetivo da pesquisa foi associar o horário e o número de refeições ao longo do dia com características do consumo alimentar, excesso de peso e de gordura corporal nestas mulheres. A pesquisa teve colaboração da Dra. Isis Danyelle Dias Custódio, da doutoranda Fernanda Silva Mazzutti Nunes e da nutricionista Kamila Pires de Carvalho e contou com a parceria de importantes pesquisadores, como a Dra. Cibele Aparecida Crispim, Dra. Paula Philbert Lajolo Canto e Dr. Carlos Eduardo Paiva (Barretos Cancer Hospital).

Neste estudo, avaliou-se o horário e o número de refeições diárias de 84 mulheres atendidas no Hospital das Clínicas (HC/UFU), sendo que parte delas ainda continua a terapia hormonal neste hospital devido à recomendação de utilização prolongada do tratamento. Dentre os resultados, foi observado que realizar o café da manhã e o jantar mais cedo foi associado com uma melhor qualidade geral da dieta e, especificamente, com um maior consumo de alimentos nutricionalmente importantes, como as frutas e os vegetais.

Além disso, o horário mais cedo do jantar foi associado com um menor consumo de energia ao longo do dia. Os autores deste estudo também verificaram que as mulheres classificadas com sobrepeso e obesidade, de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC), relataram menor consumo energético para a refeição café da manhã, quando comparadas às mulheres classificadas como saudáveis em relação ao peso corporal. As mulheres que relataram um maior número de episódios alimentares diários também foram associadas com uma melhor qualidade geral da dieta, mostrando um maior consumo de frutas e um menor consumo de sódio.

A literatura tem sugerido que populações que seguem um padrão de alimentação de maneira que concentram a maior parte das calorias ingeridas durante o dia têm um padrão de saúde melhor. O café da manhã, especialmente, tem sido considerado uma refeição importante para o consumo diário de nutrientes e para a qualidade geral da dieta.

Considerando que a obesidade e as escolhas alimentares não saudáveis são importantes fatores modificáveis ​​para o desenvolvimento e recorrência do câncer de mama e que, além disso, a obesidade está associada tanto à terapia hormonal com tamoxifeno como com o horário tardio da alimentação e menor frequência alimentar diária, sugere-se a inclusão dessa abordagem nas diretrizes nutricionais em pacientes com câncer de mama submetidas à tratamentos como a terapia hormonal com tamoxifeno, considerando o impacto adverso na saúde dessas mulheres. De acordo com o nosso conhecimento, nenhum outro estudo até o momento investigou a relação do horário e da frequência alimentar diária com resultados em saúde nessa população.

Acesse a notícia completa na página da UFU.

Fonte: Mariana Tavares Miranda Lima e Yara Cristina de Paiva Maia, Portal Comunica UFU. Imagem: Freepik.

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