Destaque

Uma horta no meio do concreto: pesquisa da UFRGS analisa a conciliação de contradições na agricultura urbana

Fonte

UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Data

sábado, 27 fevereiro 2021 15:05

No imaginário popular, quando se fala em horta, logo surge à mente um terreno plano, canteiros repletos de alfaces, cenouras, temperos verdes, algumas árvores frutíferas, sem cercas e aberta. Ao chegar à Horta da Formiga, esse ideário cai por terra. Para ter acesso ao espaço é preciso abrir um cadeado, ingressar em um corredor estreito e caminhar por calçadas. O espaço, cedido para uso em contrato de comodato realizado entre o coletivo da Horta da Formiga e a família proprietária da área, foi objeto de estudo da Dra. Ana Clara Aparecida Alves de Souza em tese defendida em março de 2019 junto ao Programa de Pós-Graduação em Administração da UFRGS (PPGA).

A linha de pesquisa da Dra. Ana foi Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade. A ideia era descobrir como agentes protagonistas em uma horta urbana coletiva conciliam as contradições inerentes a esse campo social.

A tese “A conciliação de contradições inerentes à prática coletiva da agricultura urbana” aborda a agricultura urbana na contemporaneidade como um movimento complexo e multifacetado. Para a autora, cultivar uma horta em uma área urbana é muito mais que plantar e colher, é desenvolver um laboratório social. Em sua pesquisa, emergem como fatores fundamentais na defesa da agricultura urbana diversos aspectos: sustentabilidade, resiliência, resgate de laços comunitários, revitalização de espaços ociosos, público ou privados, reconexão com a natureza, cultivo de alimentos, terapias ocupacionais, dinâmicas recreativas e educacionais, tratamento de enfermidades por meio de plantas medicinais e até mesmo a descoberta de plantas alimentícias não convencionais.

“A agricultura urbana é uma prática da agricultura nas cidades. Não é um fenômeno novo, mas na contemporaneidade tem alcançado visibilidade. Ela nasce, principalmente, com a migração de pessoas do campo para constituírem as cidades e pode ser configurada considerando múltiplas questões: sustentabilidade, resiliência, direito à cidade, alimentação, reconexão ou primeira conexão com a terra, entre outros”, explica a pesquisadora.

Esse mecanismo complexo faz com que se envolvam áreas públicas ou privadas, coletivos organizados e a vontade de estar em contato com a terra faz com que a constituição de uma horta comunitária não seja uma tarefa tão simples assim. Entram em discussão outros pontos centrais que permeiam as cidades e que precisam ser enfrentados para construir essa conexão/reconexão com a terra. “Há pessoas que buscam esses espaços como uma fuga ou a lembrança de um passado; outras querem o primeiro contato com a terra, ou proporcionar aos filhos que saibam de onde vêm os alimentos e desfrutar um consumo orgânico. Do outro lado, estão tensionamentos próprios da cidade: a ocupação desses terrenos por pessoas em situação de rua que demandam moradia, moradores da vizinhança que possam ser contrários à atividade na horta. Ou seja, o fato de ocupar um terreno privado tem uma série de questões estruturais e sociais que antecedem”, diz a pesquisadora, que acompanhou por dois anos, in loco, a Horta da Formiga.

Mergulhada neste universo, a Dra. Ana buscou compreender a dinâmica organizativa da Horta da Formiga, uma iniciativa de agricultura urbana coletiva, compreendendo a sua constituição e os seus engendramentos por meio de uma investigação participante. A questão central de tese justifica um estudo em Administração, uma vez que a intensão foi verificar como os atores protagonistas da horta conciliaram as contradições inerentes à vida social e ao movimento, garantindo que ele permaneça. “Minha pesquisa olhou para aquele grupo, que estava consciente dessas contradições, e viu como ele se mobilizou”, disse a Dra. Ana.

Apoiada pela literatura, a pesquisadora aponta que a agricultura urbana pode ser pensada de uma maneira mais entusiasta ou de um ponto de vista mais crítico, que busca atender e responder a uma questão social ao mesmo tempo em que se contradiz. “Ficamos neste duplo movimento: a horta nasce dentro de uma estrutura social complexa e contraditória, preexistente, e cria ao mesmo tempo uma resposta a um problema urbano e a possibilidade de um processo de gentrificação. Essa é uma dupla faceta da agricultura urbana que precisa ser discutida”, salienta a Dra.Ana.

Acesse a notícia completa na página da UFRGS.

Fonte: UFRGS. Imagem: Rochele Zandavalli/Secom-UFRGS.

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