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Com apoio do PNUD, agricultores do sertão baiano investem na produção sustentável do umbu
Na Bahia, o prolongado período de chuvas de 2019 explica os pés carregados de umbu em propriedades do sertão. Símbolo da Caatinga, a fruta terá a maior safra dos últimos três anos. Estima-se que até 80 toneladas poderão ser colhidas até o final desse mês. A colheita começou em dezembro passado.
O umbuzeiro é uma espécie endêmica da Caatinga, ou seja, desenvolve-se apenas nesta região específica. É por isso que o umbu é o principal elemento da cadeia produtiva associada à diversidade biológica desse bioma. A fruta é a base da economia familiar e da alimentação dos povos sertanejos, principalmente no Território do Sertão do São Francisco, área que engloba dez municípios baianos: Uauá, Campo Alegre de Lourdes, Canudos, Casa Nova, Curaçá, Juazeiro, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho.
O sabor cítrico adocicado do umbu ganha ainda mais vida com as receitas locais. São cremes, doces, sorvetes, compotas, licores, conservas, polpas silvestres e até cervejas.
Na Cooperativa Agropecuária Familiar de Uauá, Canudos e Curaçá (COOPERCUC), o que mais sai é o doce de corte de umbu. De um catálogo de cerca de 20 produtos feitos pela associação e comercializados pela linha Gravetero, os itens à base de umbu são responsáveis por 40% do faturamento. No ano passado, a cooperativa teve lucro de 1,4 milhão de reais.
Mas a presidente da organização, Denise Cardoso, lembra que nem sempre foi assim. “O umbu chegava a ser desperdiçado, pois os extrativistas não tinham como dar vazão adequada à produção. Foi assim que a cooperativa surgiu para, além do trabalho social na região, ajudar no incremento da renda das famílias”, explica a gestora.
Criada em 2004, a cooperativa reúne atualmente 271 produtores rurais, mulheres em sua maioria.
Produto nacional
A importância do umbu ultrapassa as fronteiras da Bahia e é destaque em todo país. O fruto está entre os dez primeiros da lista dos principais produtos alimentícios da extração vegetal nacional, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que foram produzidas 7.465 toneladas de umbu em 2017 no Brasil. A Bahia respondeu por 74% desse volume (5.508 toneladas).
O umbu colhido pelas extrativistas do sertão baiano e beneficiado na agroindústria da COOPERCUC chega às prateleiras dos supermercados mais sofisticados do Brasil, ao Mercado de Pinheiros, em São Paulo, e até às mesas de consumidores na Itália, França e Áustria.
Parcerias fortalecem produção
Além da COOPERCUC, outras cooperativas locais se organizam para aprimorar o desenvolvimento dos produtos da agricultura familiar. É o caso da Central da Caatinga, que desde 2016 busca agregar valor à produção de trabalhadores rurais e promover a conservação da biodiversidade.
“Vivemos num bioma em que sua biodiversidade nos permite tirar nosso sustento seja a partir da extração de frutas, seja da criação de animais”, defende o presidente da instituição, Adilson dos Santos, para quem a Caatinga só tem valor em pé. Além do umbu, o maracujá da caatinga, o licuri e as criações de ovinos e caprinos incrementam a produção rural.
Há pouco mais de um ano, a Central da Caatinga expandiu a comercialização dos produtos da agricultura familiar e passou a vendê-los também em um armazém na Praça do Jacaré, no centro da cidade de Juazeiro.
Acesse a notícia completa na página da ONU-Brasil.
Fonte: ONU-Brasil. Imagem: PNUD.
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