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Workshop discute impulso às cadeias do mel e da pesca no Brasil
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto humanize realizaram dois workshops online que discutiram formas de desenvolver as cadeias do mel e da pesca no Brasil de maneira sustentável visando a geração de renda, a melhoria da qualidade de vida das populações locais e ao desenvolvimento territorial.
Na ocasião, foram apresentados dois estudos de viabilidade da cadeia de valor do mel e da pesca, produzidos em parceria entre as duas organizações. As análises observaram o potencial de competitividade de cadeias de produtos da sociobiodiversidade – que integram uso e conservação da biodiversidade com atividades de geração de renda.
Os estudos mostraram que os produtos da sociobiodiversidade brasileira ocupam um espaço pequeno na economia formal do país, representando apenas 0,48% da produção primária nacional. Por outro lado, têm alto potencial de competitividade e de expansão.
“O PNUD já tem parceria com o humanize há alguns anos, com meta de criar impacto social, ambiental e econômico positivo em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). E as cadeias de valor locais são importantes indutoras do desenvolvimento regional, principalmente em um contexto de impactos da pandemia de COVID-19”, disse o coordenador da área de Desenvolvimento Socioeconômico Inclusivo, Cristiano Prado.
Produção de mel
A cadeia do mel de abelha, apresentada no primeiro workshop, destaca-se nesse contexto por seu potencial de impacto econômico como renda complementar para a agricultura familiar. A meliponicultura – criação de abelhas autóctones sem ferrão –, por sua vez, valoriza espécies nativas da Mata Atlântica e Amazônia que nos últimos anos começaram a receber atenção do mercado.
Elaborado pelo consultor Johann Schneider, o “Estudo de viabilidade da cadeia de valor de mel de abelha nas regiões do Pará, Bahia e Piauí” mostrou que o Brasil é um dos países com menor consumo doméstico de mel no mundo, exportando 60% de sua produção. “Isso se explica pela falta de conhecimento. O mel é na maioria das vezes associado a remédio no Brasil, não a alimento”, disse o especialista.
Os pequenos produtores respondem por três quartos da produção de mel no Brasil, sendo que metade deles tem até 50 colmeias. “Há baixo nível de profissionalização e pouco impacto na geração de renda”, declarou, citando entre os principais desafios a necessidade de capacitação, financiamento e acesso a capital de giro.
Os três estados visitados no trabalho de campo estão em diferentes estágios de desenvolvimento da cadeia de valor do mel. Segundo o estudo, o Piauí é o mais bem estruturado, dispondo de diversas centrais cooperativas de produtores. No sul da Bahia, as iniciativas têm importante volume de produção. Já o Pará tem a cadeia menos desenvolvida.
A análise também indicou que a polinização pode ser uma oportunidade para os produtores. No mundo, 10% do PIB agrícola depende de polinização. Enquanto, nos Estados Unidos, 70% dos apicultores praticam aluguel de colmeia para polinização, no Brasil esse índice é de menos de 10%.
“Outro tema identificado é a ameaça dos agrotóxicos. No período do estudo, de dezembro de 2018 a setembro de 2019, foram mais de 500 milhões de abelhas mortas em função de agrotóxicos”, afirmou o consultor.
Pesca artesanal
O segundo workshop online tratou da cadeia da pesca artesanal que, apesar da ampla extensão da costa brasileira, tem níveis de produção estagnados nos últimos anos. Além disso, a maioria dos recursos pesqueiros de interesse econômico e os ambientes onde se encontram estão ameaçados devido à interferência humana.
A conclusão é do “Estudo de viabilidade da cadeia de valor da pesca artesanal nas regiões do Pará e Bahia”, apresentado no workshop. Segundo a análise, a pesca artesanal está atrasada no que diz respeito às tecnologias e políticas mais adequadas aos anseios dos pescadores, que ainda enfrentam dificuldades por serem pouco considerados nos processos de tomada de decisão.
Acesse a notícia completa na página das Nações Unidas Brasil.
Fonte: Nações Unidas Brasil.
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