Destaque

UFLA – Micotoxinas: vilã dos grãos que pode afetar a saúde humana e animal

Fonte

UFLA | Universidade Federal de Lavras

Data

quarta-feira, 12 setembro 2018 16:30

Você já ouviu falar de micotoxina? Elas são substâncias produzidas por fungos e causam efeitos tóxicos em animais e humanos. A história traz diversos relatos sobre a contaminação de alimentos por fungos, porém somente em 1960, com a morte de 100 mil perus na Inglaterra – devido à presença de um fungo na farinha de amendoim consumida pelas aves- é que, de fato, a ciência se abriu para descobrir os perigos desses fungos, e compreender como identificá-los e combatê-los.

O Prof. Dr. Flávio Medeiros, do Departamento de Fitopatologia (DFP /UFLA), especialista em controle biológico de doenças de plantas explica que os fungos podem contaminar grãos de milho, arroz, aveia, trigo, sorgo, centeio, dentre outros, causando diversos prejuízos. “O prejuízo na lavoura está relacionado à redução do valor nutricional dos grãos e aos efeitos tóxicos, que alteram a qualidade dos grãos e gera prejuízo para a indústria”, comenta.

As micotoxinas também causam riscos à saúde humana, conforme relata o Prof. Dr.  Luís Roberto Batista do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA) da UFLA: “Elas são resistentes ao tratamento térmico que normalmente os alimentos sofrem, como a torração e a pasteurização. Para o consumidor, quando ingeridas, essas micotoxinas podem acarretar graves problemas à saúde, principalmente nos rins e no fígado”.

A contaminação em humanos ocorre de forma direta (o homem come o grão contaminado) ou em cadeia alimentar, como o milho é o principal componente da dieta animal, participando com mais de 60% do volume utilizado na alimentação animal de bovinos, aves e suínos, os fungos passam do cereal para os animais e dos animais para os humanos, através da carne ou leite.

Micotoxinas e Culturas

Atualmente são conhecidas mais de 400 micotoxinas. “As principais que afetam os grãos de milho e sorgo são as aflatoxinas, as fumonisinas, os tricotecenos (que são o maior grupo de micotoxinas conhecidos) e a zearalenona”, diz o Dr. Flávio. No Brasil, a agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta os limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos, o especialista esclarece que no campo os produtores podem empregar uma série de medidas para mitigar a contaminação por esses fungos na   pós-colheita, e na indústria há tratamentos que podem ser realizados.

No laboratório de Micotoxinas e Micologia de Alimentos, o professor Luís tem pesquisado cinco diferentes tipos de micotoxinas e a sua contaminação em alimentos: a ocratoxina A (OTA) – a mais tóxica e a mais relevante entre as ocratoxinas – e as aflatoxinas B1 e B2, G1 e G2. “Pesquisamos os fungos que são produtores de micotoxinas, a partir do momento que eles são identificados, nós sugerimos soluções para que não possam se desenvolver nos alimentos. Além disso, avaliamos quais são os alimentos mais suscetíveis a essas micotoxinas”. Para as algumas culturas, uma das soluções é a utilização de fungos que não produzem micotoxina no mesmo ambiente. “Há fungos que não produzem micotoxinas e que estão na natureza, assim criamos uma competição entre eles em determinada cultura”.

Os estudos com fungos produtores de micotoxinas contribuiu para a criação de Coleções de Cultura de Microrganismos na UFLA, sendo duas destas coleções credenciadas junto ao Ministério de Meio Ambiente (MMA) como Fiel Depositária. Os fungos são preservados em diferentes temperaturas e servem como base para as diversas pesquisas.

Acesse a notícia completa na página da UFLA.

Fonte:  Karina Mascarenhas, UFLA. Imagem: Divulgação.

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