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Startup desenvolve espumante com base no mel de abelhas nativas brasileiras
Uma empresa paulista está desenvolvendo uma nova bebida espumante de alta qualidade com base no mel de abelhas nativas brasileiras sem ferrão. Além de introduzir no mercado um produto único com alto valor agregado, o projeto tem o objetivo de estimular a conservação da fauna nacional e valorizar a cultura e o trabalho de comunidades produtoras locais.
O projeto é da Mirá, uma startup sediada em São Carlos, no interior paulista. A primeira fase das pesquisas já foi concluída, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP e o projeto agora entra em sua segunda fase, de desenvolvimento do produto final.
De acordo com a bióloga Dra. Juliana Massimino Feres, pesquisadora responsável pelo projeto, existem mais de 350 espécies de abelhas brasileiras sem ferrão, cujo mel tem propriedades de aroma e sabor muito especiais. Depois de trabalhar em diversos projetos científicos relacionados à cadeia de meliponicultura – como é chamada a criação de abelhas sem ferrão –, a Dra. Feres percebeu que esse mel tinha potencial para o desenvolvimento de um produto de alto valor agregado.
“No convívio com a cadeia de meliponicultura, era evidente que havia um encantamento do público com o mel das nossas abelhas nativas e seus subprodutos, mas trata-se de um recurso limitado, de alto valor e não reconhecido pelo mercado. Percebemos que era possível usar esse recurso para um produto de valor agregado, que fosse atrativo para quem trabalha com a produção. Por isso começamos a pensar na bebida espumante”, explicou a Dra. Feres.
Em parceria com seu sócio na Mirá, o também biólogo Dr. Tulio Marcos Nunes, a pesquisadora começou então a estudar as alternativas para o processo fermentativo do mel de abelhas nativas, dando o pontapé inicial para o desenvolvimento da nova bebida.
Segundo ela, já existem no mercado algumas bebidas feitas a partir do mel de abelha comum, a Apis mellifera. Porém, as características do mel de abelhas sem ferrão eram de fato muito especiais e o sucesso da bebida foi grande já nos primeiros testes.
“Começamos a desenvolver o processo de fermentação e realizamos testes preliminares da bebida com amigos. A bebida mostrava potencial, mas com os testes identificamos os pontos cientificamente frágeis no processo. Foi aí que resolvemos pedir o apoio do PIPE-FAPESP para superarmos os problemas com a fermentação e começarmos a pesquisar o mercado para o produto”, disse a Dra. Feres.
De acordo com o Dr. Nunes, no PIPE 1, desenvolvido entre julho de 2020 e março de 2021, o objetivo era minimizar as incertezas em relação ao produto. O primeiro passo, após verificar se era viável fermentar o mel de abelhas nativas sem ferrão, era avaliar se o processo resultaria em uma bebida que fosse agradável e palatável.
“Depois disso, fizemos uma vasta caracterização química do produto, para saber como os compostos presentes no mel se comportariam na bebida. Desenvolvemos inúmeras receitas e selecionamos duas que tiveram resultados surpreendentes em relação ao sabor e aroma. Confirmamos ainda que as substâncias presentes no mel se preservaram na receita final, mantendo as características da matéria-prima”, afirma Nunes.
Os dois pesquisadores já trabalhavam com abelhas nativas sem ferrão desde o início de suas carreiras e, há quatro anos, estão desenvolvendo juntos a fermentação do mel dessas abelhas. “Eu também já tive uma cervejaria familiar e é daí que vem minha experiência com a fermentação”, contou o Dr. Nunes.
“Vários estudos anteriores já demonstravam a riqueza química e biológica do mel de abelhas nativas, mas a pesquisa era incipiente e, então, tivemos que identificar e categorizar os compostos com os quais iríamos trabalhar”, explicou a Dra. Feres.
Acesse a notícia completa na página da Agência FAPESP.
Fonte: Fábio de Castro, Agência FAPESP.
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