Destaque

Pesquisadores desenvolvem alternativas para aumento da produção de peixes

Fonte

FAPEAM | Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas

Data

segunda-feira, 14 novembro 2022 06:05

Fontes de carbono de resíduos de açaí são ingredientes de um suplemento nutricional desenvolvido para a dieta dos peixes matrinxã e tambaqui. A pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), é realizada nos municípios de Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e Maués, (distantes 80, 125 e 250 km de Manaus, respectivamente).

O projeto apoiado pelo Programa Estratégico de Desenvolvimento do Setor Primário Amazonense – Prospam/Fapeam – Edital 008/2021, é coordenado pela pesquisadora Dra. Elizabeth Gusmão Affonso, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

De acordo com a pesquisadora, o estudo é o primeiro projeto no Amazonas a utilizar a aplicação do processo de larvicultura em Biofloc Technology System (BFT). Os primeiros resultados sobre a aplicação do processo de produção de larvas de matrinxã alcançados em uma fazenda comercial, localizada em Presidente Figueiredo, têm mostrado o potencial da tecnologia.

“Com um aumento superior a 85% de sobrevivência das larvas de matrinxã, cujo obstáculo na produção desta espécie é o canibalismo nesta fase, com perdas de quase 90% em sistema convencional, será um grande benefício na sua produtividade, o que elevará os lucros para o produtor. Portanto, os resultados já são uma realidade e deverão, nos próximos meses, ser ampliados em outros municípios do estado do Amazonas”, comemorou a pesquisadora.

Suplemento sustentável

Pelo projeto já foram feitos experimentos que contribuirão para desenvolver a farinha de bioflocos, a qual será utilizada como suplemento alimentar na ração de tambaqui e matrinxã, feita a partir da fonte de carbono dos resíduos de açaí, mandioca, arroz e fontes convencionais como açúcar e melaço.

O sistema BFT é rico em macro e micronutrientes, e serve de suplemento alimentar in situ durante 24 horas para os organismos criados, além disso é um alimento extra para peixes filtradores como o tambaqui, o que já foi evidenciado pelo crescimento dos peixes alimentados com 24% de proteína bruta (PB), compatíveis àqueles alimentados com 32% de PB na ração, explica a pesquisadora.

“Para isso, várias análises estão sendo realizadas tanto com o peixe quanto com o produto gerado, para que possamos apresentar e confirmar o potencial deste produto como suplemento para nossas espécies em sistema BFT e convencional”, compleou a Dra. Elizabeth Gusmão.

A pesquisadora ressaltou que em termos econômicos, a alternativa é bastante significativa, o que pode gerar um lucro excepcional ao produtor, que poderá utilizar esses resíduos para espécies não filtradoras e sem utilizar o sistema BFT, devido a necessidade de energia elétrica para esta tecnologia.

“O produtor pode continuar criando em sistema convencional (viveiros escavados e açudes) e se beneficiar dos nutrientes da BFT, agora na forma de farinha de bioflocos, rica em nutrientes e que pode ser suplementada na ração. Portanto, sendo uma alternativa para melhorar a produção de espécies nativas da Amazônia e aumentar a produtividade destas”, destacou a pesquisadora

Capacitação

Além da produção sustentável de alta produtividade para os peixes nativos, o estudo prevê, ainda, a capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento socioeconômico de produtores rurais dos municípios envolvidos na pesquisa.

Impactos

A pesquisadora espera que ao final do estudo as novas tecnologias aplicadas possam contribuir para as melhorias de criação e produtividade das duas espécies e, consequentemente, aumentar a produção aquícola no Amazonas, sendo esses avanços em benefício da população rural, gerando renda e oportunidades profissionais.

Entre os impactos, a pesquisadora ressalta a expansão da atividade aquícola das duas espécies nativas no Amazonas, aumentando sua produtividade e sobrevivência, diminuindo custos da produção.

Acesse a notícia completa na página da FAPEAM.

Fonte: Valdete Araújo, Decon-Fapeam.

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