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Pesquisa da UFRGS: Como os modelos de masculinidade afetam a saúde de idosos no ambiente rural

Fonte

UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Data

sábado, 16 junho 2018 16:00

Muitas vezes, o processo de envelhecimento é visto negativamente pelos homens, que rejeitam o fato de que os seus corpos não são mais tão resistentes quanto costumavam ser. As construções sociais de gênero afetam ambos os sexos, de maneiras e graus diferentes. O conceito de masculinidade estereotipada que se origina dessas construções naturalizadas na nossa sociedade pode causar problemas para homens idosos em relação ao adoecimento nessa idade. Durante o seu doutorado, realizado no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFRGS, a enfermeira e professora da Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos) Dra. Andréia Burille procurou pequenas comunidades rurais do Rio Grande do Sul para analisar as diferentes táticas de cuidado e atendimento médico acionadas pelos idosos ao ficarem doentes. Segundo ela, “a masculinidade traz benefícios para os homens, mas também traz muito prejuízo. Os homens não podem ser fracos, não podem chorar, não podem uma série de coisas. Há todo um esforço para ocultar esse sofrimento por causa das expectativas”. A fim de provar que o envelhecimento é somente numérico e que não há nenhum efeito nos seus corpos, alguns indivíduos podem ignorar problemas de saúde até que se tornem algo sério e inevitável. O projeto teve como objetivos discutir questões de gênero e suas repercussões na saúde e no adoecimento, observar como os homens lidam com o enfraquecimento dos seus corpos e avaliar o impacto das doenças na condição social do homem.

Sendo de uma família vinda de uma cidade do interior, a pesquisadora sempre teve vontade de trabalhar com o rural, com suas singularidades. É um ambiente permeado de símbolos, que formam também uma identidade e um modo de vida para os moradores. “Pensar o rural foi sempre uma coisa que eu, como enfermeira, achava importante”, diz ela. Em parceria com a Universidade de Vale do Taquari (Univates), a Dra. Burille procurou pelo município em que iria desenvolver a sua tese com base no número de idosos que possuía. O escolhido foi Deutsch, nome fictício escolhido para preservar as identidades dos pesquisados. Localizada na região dos Vales, a cidade tem menos de 2.500 habitantes, sendo que mais da metade (54%) reside em áreas rurais e cerca de um quarto da população possui mais de 70 anos de idade.

Trabalhando com a saúde do homem há cerca de 10 anos, a Dra. Burille ficou quase um ano envolvida com a comunidade e os entrevistados escolhidos. Durante dois meses, ela morou na casa de uma viúva da região, que a ajudou a entender mais a cultura dos moradores. Não somente ela queria conversar com os homens idosos da região sobre suas experiências, mas também entender a comunidade na qual eles estão inseridos. Sendo quase todos eles imigrantes ou descendentes de alemães, ela foi rapidamente identificada como “gringa”, por sua descendência italiana. Conseguir a confiança deles foi um processo delicado, que contou com o apoio da agente comunitária da região, que a acompanhou durante o período de aproximação com as famílias. “Toda pesquisa que vai trabalhar com comunidades rurais tem que contar com a agente local para fazer essa aproximação, para que as pessoas consigam confiar e não se sintam acuadas”, afirma. Após o término do período de convivência com os moradores, que ocorreu durante os meses de janeiro e fevereiro de 2015, a Dra. Burille continuou retornando à cidade todos os finais de semana até outubro. As informações e histórias foram contadas por eles em confidência para a pesquisadora, que assumiu o compromisso de mantê-los anônimos.

Acesse a notícia completa na página da UFRGS

Fonte: Nathália Cassola, UFRGS. Imagem: Pixabay

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