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Consumo de ultraprocessados aumenta incidência e morte por câncer, aponta estudo

Fonte

Ebserh | Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares

Data

domingo, 5 março 2023 11:35

Um estudo feito no Reino Unido apontou que o maior consumo de alimentos ultraprocessados aumenta o risco de desenvolver câncer, inclusive tipos raros da doença, como o câncer de ovário. Ainda segundo a pesquisa, o consumo desses alimentos também aumenta a chance de mortalidade relacionada à enfermidade. Especialista do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA)e vinculado à Rede Ebserh (Hupes-UFBA/Ebserh), explicou um pouco mais sobre a relação entre a alimentação e a doença.

O estudo foi publicado em janeiro deste ano na revista científica The Lancet e contou com 197.426 pessoas registradas na base de dados UK Biobank. Os participantes tinham entre 40 e 69 anos e foram acompanhados até janeiro de 2021. A pesquisa foi realizada com dados alimentares correspondentes ao período de 2009 a 2012.

São considerados alimentos ultraprocessados formulações com pouca composição nutricional e altos índices de gordura, açúcar e substâncias sintetizadas. Refrigerantes, sopas instantâneas, salsicha, bacon e hambúrgueres são exemplos.

Segundo dados do estudo, o incremento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados aumentou em 2% o risco de câncer. No caso do câncer de ovário, o aumento foi de 19%. Os pesquisadores também identificaram um aumento de 6% para o risco de morte derivada do câncer, com aumento de 16% para o câncer de mama e 30% para o de ovário. Até o final do estudo, 4 mil pessoas haviam morrido de câncer e 16 mil tinham desenvolvido a doença.

O Dr. Carlos Benevides , oncologista do Hupes, explicou que o câncer se caracteriza pelo crescimento desorganizado das células. “No funcionamento normal, as células se dividem, renovando os tecidos e mantendo a função dos órgãos”, explicou o oncologista. “No câncer, essa divisão celular é contínua e desordenada, levando à formação de massas de células de crescimento contínuo que recebem o nome de tumores. Essas células também podem migrar para outros órgãos, formando novas lesões, processo que chamamos de metástase”.

Segundo o oncologista, as causas que contribuem para o desenvolvimento do câncer são multifatoriais e têm como eixo central o envelhecimento. “Com a velhice, nossas células passam a não desenvolver copias idênticas durante o processo de renovação celular, acumulando falhas no DNA que podem culminar em câncer”, afirmou o Dr. Benevides.

Nesse contexto, algumas substâncias — chamadas de carcinógenos — interagem diretamente no processo saudável de divisão celular e aumentam o risco de desenvolver a doença. Cigarro, álcool e alimentos defumados e com conservantes químicos são exemplos de produtos com carcinógenos.

“Esse tipo de alimento é absorvido mais rapidamente pelo organismo. Por isso, a saciedade após as refeições é menor e o indivíduo acaba se alimentando com maior frequência ou em maior quantidade”, afirmou o Dr. Benevides. O médico explicou que a sobrecarga calórica pode levar à obesidade, diabetes e outras doenças metabólicas, além de fazer com que o organismo siga um padrão disfuncional com maior atividade inflamatória, o que pode servir como gatilho para a formação do câncer.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil saltou de 12,6% entre 2002 e 2003 para 18,4% entre 2017 e 2018. O câncer é uma das principais causas de morte no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se, para o triênio de 2023 a 2025 no Brasil, a ocorrência de 704 mil novos casos da doença.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Ebserh.

Fonte: Ana Oliveira, Ebserh.

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