Destaque
A primeira diretriz americana para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes
Fonte
Abeso | Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica
Data
domingo, 29 janeiro 2023 17:40
De acordo com dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), um em cada cinco meninos e meninas entre 2 e 19 anos de idade, nos Estados Unidos, têm obesidade, uma prevalência quatro vezes maior do que a dos anos 1970.
O salto não aconteceu da noite para o dia. No entanto, a American Academy of Pediatrics (AAP) só tinha publicado um único posicionamento sobre o assunto em 2007. Nele, recomendava que as famílias melhorassem a alimentação e estimulassem o exercício. Era, enfim, uma opinião de experts, algo bem diferente de uma diretriz — documento que, por natureza, traz o que existe de melhor evidência científica e estabelece qual seria o padrão de excelência no cuidado.
Não só o texto do posicionamento era vago como, depois dele, houve um silêncio constragedor que só foi quebrado agora, com o lançamento da primeiríssima diretriz da AAP sobre o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. Mas não é apenas pelo ineditismo que o documento vem causando alvoroço.
Nas mais de 100 páginas em que esmiuça como devem ser realizados o diagnóstico e o tratamento da obesidade na população pediátrica, a academia reforça que, para combater o problema, é preciso implementar mudanças intensivas no estilo de vida.
Sublinha, porém, que isso leva tempo, demanda um tremendo esforço, além de muita habilidade dos profissionais de saúde para que a abordagem seja correta. E, mesmo assim — eis o que mais causou o maior burburinho —, alerta que essas medidas talvez não sejam suficientes.
“Eles reconhecem que podem ser necessárias estratégias adicionais”, conta o presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o endocrinologista Dr. Bruno Halpern. “Citam algumas medicações estudadas em jovens acima de 12 anos que poderiam ser cogitadas conforme o caso, afirmando que deixar de ofertá-las por uma espécie de ‘moralidade’ seria contribuir para o estigma da obesidade.”
A cirurgia bariátrica também é mencionada como opção para casos de extrema gravidade, devendo ser realizada em centros especializados, de acordo com a diretriz.
Bom frisar que não houve qualquer espécie de financiamento para a elaboração do documento que, no fundo, contém informações que os profissionais dedicados ao estudo e ao tratamento da obesidade já tinham. Mas, para o Dr. Bruno Halpern, é muito significativo ver a disseminação desse conhecimento entre os pediatrias.
O americano Dr. Ted Kyle, da ConscienHealth — que assina a coluna com o mesmo nome na “Evidências em Obesidade e Síndrome Metabólica”, a revista da Abeso —, chama a atenção para o interesse que essa diretriz vem despertando no mundo inteiro e vê nisso um sinal encorajador.
“Pessoas que sempre subestimaram a necessidade de acompanhamento médico dessas crianças, julgando-as o tempo inteiro sem conhecerem a sua condição, ao saberem da diretriz talvez consigam desenvolver mais empatia por esses jovens e suas famílias”, pensa o Dr. Kyle.
Outro motivo para o interesse pela diretriz é claro: infelizmente, os números da obesidade em crianças e adolescentes crescem em todos os cantos. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, são mesmo alarmantes.
Aqui, entre os menores de 5 anos, a prevalência de sobrepeso é de 14,8% e a de obesidade fica em cerca de 7%. Já entre os brasileiros de 5 a 9 anos, 28% têm sobrepeso e 13,2% obesidade.
Acesse a diretriz completa (em inglês).
Acesse a notícia na página da Abeso.
Fonte: Abeso.
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