Destaque

Pesquisa avalia impacto das mudanças climáticas no futuro da agricultura da América do Sul

Fonte

UFV | Universidade Federal de Viçosa

Data

sábado, 30 setembro 2023 06:05

Um inverno quase sem frio, a primavera que começou com calor de verão e as tragédias com chuvas extremas no sul do Brasil tornam muito claro, este ano, que as mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça e já são uma realidade, que vai mexer com o que todos nós entendemos por clima. Mas será que elas irão impactar a produção de alimentos para garantir segurança às populações? Um trabalho científico, que tem o professor Dr. Flávio Justino, do Departamento de Engenharia Agrícola da UFV como um dos autores, abordou especialmente o futuro da agricultura no contexto de mudanças climáticas que afetam, de modos diferentes, grandes e pequenos agricultores na América do Sul.

Segundo os autores, a variabilidade e as alterações meteorológicas nas últimas décadas já provocaram perdas significativas de colheitas na região avaliada. Como se isso não bastasse, os custos socioeconômicos duradouros das inundações, ondas de calor, incêndios florestais e tempestades de granizo atingem gravemente os agricultores e as comunidades locais. Esses extremos climáticos já respondem por 26% dos danos e perdas na agricultura nos países menos desenvolvidos e de rendimento médio-baixo.

A situação é agravada pelo fato de que, na maioria dos países da América do Sul, a agricultura ainda depende muito das práticas agrícolas de pequenos produtores, que são mais vulneráveis à variabilidade climática interanual, a eventos extremos e a mudanças nos padrões climáticos regionais. “Além de secas e inundações, os produtores rurais ainda precisam lidar com surtos de pragas e doenças que prejudicam os sistemas agrícolas. Esta é a primeira vez que uma pesquisa foca este grupo, considerado fundamental para a segurança alimentar e a economia desses países”, explicou o professor Dr. Flávio Justino.

Clima impacta de modo diferente os produtores agrícolas

O estudo mostra que se, à primeira vista, algumas mudanças já percebidas no clima nesta região até parecem animadoras, na realidade, não o são. Alguns resultados dos modelos agrometeorológicos apontam para o crescimento na produção de cultivos nas regiões sul do Chile e do Brasil, favorecido pelo aumento da temperatura. Dados recentes também sugerem uma tendência positiva na produtividade do milho na Colômbia, Equador e Uruguai, bem como da soja na Bolívia e no Uruguai. As tendências também indicam que a fertilização por CO2 promete impactos positivos para o setor agrícola no Peru e nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde os aumentos de produtividade podem chegar a cerca de 40%.

A situação parece positiva, mas o problema é que os impactos dos eventos climáticos extremos no setor agrícola são muito complexos e variáveis. Já se sabe, por exemplo, que o uso de sistemas de cultivo duplo, embora com resultados muito bons nos últimos anos, pode estar em risco, principalmente devido à previsão de diminuição das precipitações, de atraso no início da estação chuvosa e do aumento da temperatura, o que não seria bom para a economia dos países produtores de duplas safras, como é o caso do Brasil, por exemplo.

Ainda de acordo com os pesquisadores, há outro problema que aprofunda ainda mais as desigualdades já existentes. Mudanças ambientais que podem ser positivas tendem a favorecer apenas grandes produtores, que têm melhores condições de se adaptar aos eventos extremos de tempo e clima, o que não acontece com os pequenos e médios agricultores.

Políticas para gestão das mudanças no clima

A pesquisa alerta que os efeitos dos eventos extremos sobre a agricultura exigem esforços coletivos e urgentes para estabelecer protocolos de gestão mais seguros, eficientes e sustentáveis para todos. É necessário estimular políticas que promovam o desenvolvimento de sistemas de alerta precoces e tecnicamente precisos, bem como a correta interpretação dos riscos que correm os produtores rurais, até mesmo para subsidiar possíveis seguros de safras. “Será preciso investir, portanto, em ferramentas e tecnologias para detecção precoce e em bons mapas de riscos climáticos. A adaptação e a mitigação dos novos efeitos do clima exigem tecnologias que envolvam abordagens interdisciplinares”, afirmou o professor.

Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal de Viçosa.

Fonte: Universidade Federal de Viçosa.

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