Destaque
FAPERJ: pesquisa revela a diversidade de feijão
Fonte
FAPERJ | Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
Data
domingo, 17 setembro 2023 10:55
Feijão com arroz. Combinação considerada base da alimentação da população brasileira. Produzido em todas as regiões do País, o feijão é um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros e uma das principais alternativas de cultivo em pequenas propriedades. Cozido ou como ingrediente principal de diversos pratos, o feijão está presente no País desde a pré-colonização, quando os indígenas faziam cultivo do grão, até se popularizar ainda mais com a chegada dos portugueses.
Rico em proteínas e minerais, incluindo o ferro, além das vitaminas C e do complexo B (exceto a B12) e fibras solúveis e insolúveis, o feijão vem deixando de constar na dieta do brasileiro. Seu consumo caiu 50% nos últimos 16 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em meio a mudanças culturais e a crescente oferta de alimentos ultraprocessados, o aumento de preços do produto aliado à queda do poder aquisitivo vem levando a população a perder o hábito de comer feijão, com consequências para a segurança alimentar e para a saúde.
Entre janeiro de 2012 e janeiro de 2023, o feijão carioquinha acumulou alta de preços de 122% e o feijão preto, de 186%, comparado a uma inflação geral de 89% no período, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ou seja, em pouco mais de uma década, o feijão carioca dobrou de preço e o feijão preto, quase triplicou. Essa alta de preços pode ser atribuída à queda na oferta do grão, já que dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área plantada com feijão no Brasil na safra 2022/2023 foi a menor da série histórica, iniciada em 1976, o equivalente a uma redução de 65% em relação à safra de 1981/82.
O ‘Catálogo da Diversidade de feijão-comum do estado do Rio de Janeiro‘, editado pela Editora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (EdUenf), é fruto de uma pesquisa de cinco anos que buscou compreender a relação dos agricultores com as variedades de feijão-comum cultivadas no estado. Resultado do projeto “Compartilhando as sementes da paixão com seus guardiões: o estado do Rio de Janeiro como hotspot de agrobiodiversidade do feijoeiro”, desenvolvido na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) pela Dra. Thâmara Figueiredo Menezes Cavalcanti bolsista de pós-doutorado Nota 10 da FAPERJ, a obra estabelece um diálogo entre os conhecimentos tradicional e científico.
O estudo, coordenado e organizado pela professora Dra. Rosana Rodrigues, uma das fundadoras da Uenf, Cientista do Nosso Estado e conselheira da FAPERJ; pelas pesquisadoras Dra. Cláudia Pombo Sudré (Uenf), Dra. Cláudia Roberta Ribeiro de Oliveira (Faetec), com colaboração da bolsista de extensão Paula Nascimento da Paz Lopes e da discente Laila Marinho da Silva, voluntária no projeto, além de 23 extensionistas da Emater-Rio.
“Em geral, existe a percepção de que no estado do Rio de Janeiro não há agricultura”, explicou a Dra. Rosana Rodrigues. Mas o estudo atesta justamente o contrário. “A produção no estado está, majoritariamente, nas mãos da agricultura familiar, em propriedades de dois a 20 hectares, onde há plantio de várias culturas para o autoconsumo, como feijão, milho e mandioca”, esclareceu a Dra. Rosana Rodrigues. Segundo ela, o município de Campos dos Goytacazes já foi referência na cultura do feijão para o Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), com sede na Colômbia.
Apoiada pela Emater-Rio, pela FAPERJ e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a equipe da pesquisa percorreu 27 municípios e visitou mais de 150 agricultores, entre os anos de 2015 a 2019. O estudo demonstra que o feijão-comum é uma cultura-chave dos sistemas agrícolas familiares em todo o estado, produzido por 88% dos agricultores visitados. Pouco mais de 60% cultivava mais de uma variedade e foram verificadas famílias conservando até 11 variedades diferentes. Mais de 300 amostras foram coletadas, com grande diversidade de cor, forma e tamanho. O feijão do tipo preto, preferido pelo mercado consumidor fluminense, correspondeu a somente 38% da diversidade encontrada. Além desse, mais de dez outros tipos também são produzidos, como os feijões roxinho (ou vermelho), pardo, carioca, rajado, amendoim, manteigão, mulatinho, branco, amarelo, verde, rosinha e bicolor.
Acesse a notícia completa na página da FAPERJ.
Fonte: Paula Guatimosim, FAPERJ.
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