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Farofa do Cerrado: Fruto de parceria entre Fundações Grupo Boticário e Fapeg

Fonte

FAPEG |Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás 

Data

quinta-feira, 13 abril 2023 13:10

Inspirado nos saberes tradicionais dos sabores dos frutos do Cerrado surgiu a proposta de elaboração do produto Farofa do Cerrado. O projeto é resultado da atuação de profissionais do Instituto Federal de Goiás (IFG) com as associações das comunidades quilombolas (Kalunga, Moinho e Forte) que vivem nas áreas de preservação do Bioma Cerrado na Chapada dos Veadeiros, nos municípios de São João da Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Teresina de Goiás e Cavalcante. A região abriga espécies e formações vegetais únicas, centenas de nascentes e cursos d’água, cachoeiras, rochas com mais de um bilhão de anos e belas paisagens. Além de favorecer pesquisas científicas, o turismo é o grande forte da economia local.

O projeto “Farofa do Cerrado: Produto da Sociobiodiversidade” foi um dos selecionados em uma Chamada Pública (02/2022) lançada no ano passado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza (FGB) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) com o objetivo de apoiar iniciativas inovadoras que contribuíssem para o fortalecimento das áreas naturais protegidas no Nordeste Goiano com foco na conservação ambiental e no desenvolvimento econômico sustentável da região. A proposta está recebendo um investimento no valor de R$ 171.387,00.

O professor de Agroecologia Diogo Souza Pinto, do IFG da Cidade de Goiás, mestre em Educação pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e doutorando em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal de Goiás (UFG) é o coordenador do projeto. Segundo ele, a proposta é desenvolver um produto alimentício que integre inovação, conservação ambiental e empreendedorismo social para a autonomia produtiva e comercial dessas comunidades quilombolas.

A ideia é desenvolver o produto alimentício e estruturar um Plano de Negócios para que a Farofa do Cerrado permaneça, após a realização dos trabalhos de pesquisa, como alternativa de renda e fortalecimento dos serviços de turismo em áreas de conservação da Chapada dos Veadeiros. As ações previstas no projeto visam também fortalecer a preservação das espécies vegetais nativas componentes da receita pelo mapeamento da ocorrência e georreferenciamento, além de possibilitar a produção da Farofa do Cerrado para apoiar a manutenção dessas comunidades nos seus territórios com a comercialização do produto no circuito turístico.

Uma equipe de oito quilombolas das comunidades será beneficiada diretamente para assistência às atividades do projeto na primeira fase. Na segunda, cerca de 20 pessoas de cada comunidade vão participar das oficinas (total 80 pessoas). E depois, com a produção e comercialização da farofa pretende-se gerar renda para outras famílias extrativistas, coletoras e comerciantes. Ao longo do projeto pretende-se desenvolver a autonomia dessa produção para geração de lucro com a comercialização do produto para as pessoas envolvidas na produção da farofa. O pesquisador explica que “a organização de todas as atividades do projeto tem sido de forma compartilhada, participativa, horizontal e dialógica com as lideranças que representam as comunidades quilombolas”.

Segredo

Os ingredientes que vão compor o produto ainda estão guardados em segredo, mas a base dele o pesquisador já pode revelar. “Inspirado na ‘paçoca de pilão’, o produto terá como sustentação a farinha de mandioca – que já é um produto de identidade quilombola encontrado em todas as comunidades envolvidas – e contará com a diversidade dos frutos do Cerrado que darão um sabor especial, diverso e de alto valor nutricional”.

O pesquisador explica que se trata de um alimento perfeito para o turismo, pois é altamente energético, fácil de conservar, de carregar para trilhas e com um sabor de identidade único. “Podemos considerar que a Farofa do Cerrado é um produto da sociobiodiversidade das comunidades quilombolas da Chapada dos Veadeiros. Ao consumir o produto dessas comunidades as pessoas acabam contribuindo para a manutenção delas nas áreas de preservação, com a inclusão socioprodutiva, com o desenvolvimento territorial mais sustentável, assim como garantindo a sobrevivência dessas espécies e a conservação do Bioma Cerrado”, argumentou o professor.

Farofa e turismo ambiental

O pesquisador explica que as comunidades quilombolas envolvidas no projeto têm uma economia baseada na comercialização de alimentos e serviços principalmente atrelados ao turismo ambiental. Segundo ele, participam desse projeto basicamente as lideranças quilombolas que são mulheres, a maioria mães e que já trabalham na comercialização de alimentos. Ele destaca, porém, que nessas comunidades tradicionais também vive uma juventude formada e qualificada para a atuação, mas que carece de oportunidades de trabalho ou de investimento no território para sua qualificação e atuação profissional, “o que faz com que muitos desses jovens deixem a comunidade para trabalhar em outros lugares. O desenvolvimento dessas comunidades depende muito do investimento nessas pessoas que podem inovar produtos, gerar renda, comercializar e oferecer serviços”.

Acesse a notícia completa na página da FAPEG.

Fonte: FAPEG.

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