Destaque
Grupo de Formação Complementar analisa a qualidade da carne para empresas e frigoríficos
“Hoje estamos vendo que o respeito ao bem-estar animal também é importante economicamente”, afirmou a professora Dra. Ana Maria Bridi, orientadora do Grupo de Pesquisa e Avaliação de Carnes e Carcaças (Gpacuel), que reúne alunos de graduação e pós-graduação interessados em estudos em Ciência da Carne. O Programa de Formação Complementar Gpac conta com cerca de 20 alunos dos departamentos de Zootecnia e Medicina Veterinária, ambos do Centro de Ciências Agrárias (CCA). O grupo adota metodologias ativas atuando em uma perspectiva de indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão. O Gpac também realiza análises da qualidade da carne para empresas e frigoríficos de todo o País a partir de convênios de prestação de serviços à comunidade.
Segundo a Dra. Ana Bridi, ainda é necessário ampliar a oferta de cursos de capacitação, além de amadurecer os debates sobre aspectos éticos, sociais e econômicos da promoção do bem-estar animal. Isso porque ainda há resistência por parte de alguns produtores em perceberem o retorno na qualidade da produção quando do aperfeiçoamento das medidas de cuidado no manejo pré-abate. “Ainda vejo algumas situações que, por tradicionalismo, não são alteradas. Acho que faltam cursos explicando o porquê e como fazer”, disse a pesquisadora.
Um exemplo de prática que deve ser abolida, disse, é a utilização do “carimbo” de ferro em brasa para a marcação do gado, costume antigo nas propriedades rurais. Nesse sentido, lembra que as novas obrigações previstas na Portaria 365, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), já estão valendo para frigoríficos que estão sob a fiscalização do Serviço de Inspeção Federal (SIF), e que empresas estaduais ainda atravessam um período de adaptação à lei. A portaria entrou em vigor em agosto de 2021 e concedeu prazos de um e dois anos, respectivamente, para a implementação e aperfeiçoamento das medidas e processos de cuidado. O objetivo é “evitar mortes no transporte, anomalias na carne e hematomas, estes que depois deverão ser retirados da carcaça”, exemplificou a docente.
A portaria trouxe mudanças que envolvem os cinco pilares de promoção do bem-estar animal: boa saúde, boa nutrição, alojamento e transporte adequados e ausência de sofrimento. Foram alteradas questões relacionadas à alimentação, como o período permitido de jejum pré-abate na suinocultura, assim como foram aperfeiçoadas as obrigações relacionadas ao conforto térmico e à oferta de água, entre outros quesitos.
Extensão
Parte das atividades extensionistas do Grupo de Pesquisa e Avaliação de Carnes e Carcaças, a análise da qualidade da carne é um serviço prestado pelos estudantes e pesquisadores por meio de projetos de Prestação de Serviço à Comunidade (PAS), conforme prevê edital do Conselho de Administração (CA) da UEL. Desta forma, empresas das áreas de genética e nutrição e grandes frigoríficos de todo o País podem avaliar “como a nutrição afetou a qualidade da carne e como a genética alterou ou não os padrões de qualidade, assim como de que forma uma nova vacina para imunocastração pode afetar a qualidade”, exemplificou a professora.
O grupo já fez análises para grandes frigoríficos das regiões de São Paulo, Campinas e São José do Rio Preto. Empresas localizadas na Região Metropolitana de Londrina e em estados como Minas Gerais também já solicitaram análises.
“Algumas análises fazemos rapidamente. Por exemplo, a maciez da carne conseguimos analisar por uma técnica que permite um grande volume de análises por dia. Já a análise sensorial demora até dois ou três meses, porque o próprio nariz tem um número de sensores que limitam. Você tem um número máximo de análises por dia. Precisa de pessoas treinadas, e conforme a análise, você precisa treinar novamente essas pessoas”, explicou a docente.
A maior demanda, explicou a orientadora, é pela análise de características como o pH, cor, capacidade de retenção de água e oxidação, além da análise sensorial.
Um interessante momento de aproximação com a comunidade externa da UEL costuma ocorrer na programação de eventos técnicos da ExpoLondrina, na Via Rural. Na edição deste ano, que ocorre entre os dias 6 e 16 de abril, docentes e pesquisadores ligados ao Gpac deverão integrar a programação, oferecendo treinamentos e capacitações aos produtores rurais presentes. “No ano passado, na ExpoLondrina, fizemos dois dias de análise sensorial, mas era com consumidores. Então, armamos uma churrasqueira, as cabines e fizemos ‘testes a cega’, tudo como manda o padrão científico. Ficamos dois dias fazendo estas análises”, lembrou a pesquisadora.
Precificação
Conforme a professora, o grupo também vem acompanhando o desenvolvimento de uma pesquisa de doutorado que pretende mapear a qualidade da carne em todo o País. O objetivo é categorizar um enorme volume de dados para elaborar um sistema nacional de precificação. “(Vamos reunir) tudo o que se pode imaginar: análise sensorial, se o animal é jovem, velho, se teve estimulação elétrica ou não, bastante marmoreio (acumulação de gordura intramuscular) ou pouco, espessura de gordura alta ou baixa”, ressaltou a pesquisadora.
Acesse a notícia completa na página da Universidade Estadual de Londrina.
Fonte: Vitor Struck, Agência UEL.
Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que cadastrados no Canal Nutrição e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Nutrição, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.
Por favor, faça Login para comentar