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Até que ponto escolhemos o que comemos? Publicação da USP explica o que são ambientes alimentares

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Jornal da USP

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“Pense em tudo o que você comeu ontem. Onde cada um dos alimentos foi comprado? Agora pense na última vez em que você foi ao mercado ou à feira. Você conseguiu adquirir tudo que desejava? Ou até comprou alimentos que você nem queria, mas levou por impulso? Ao responder a essas perguntas, provavelmente você percebeu duas coisas. A primeira é que nem sempre pensamos sobre o lugar em que cada um dos alimentos vem, ou até mesmo no motivo dos mercados, feiras e quitandas estarem onde estão. A segunda é que as nossas escolhas alimentares são realmente nossas até certo ponto, já que aquilo que vamos comer depende de diversos fatores externos, incluindo vontade política.”

Essas questões abrem o editorial do novo número da Revista Sustentarea, publicação de pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP)  que já está disponível para dowloand gratuito. Como explica o editor Dr. Alisson Diego Machado, esse é o conceito de ambiente alimentar, temática da nova edição que indica quais são os estabelecimentos de venda de alimentos que estão próximos a nós e como as práticas adotadas por eles influenciam o nosso consumo.

O leitor vai descobrir como pequenas trocas, aparentemente simples, podem fazer a diferença na busca de uma alimentação mais saudável. Além disso, esse número aborda a relação dos ambientes alimentares com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que fazem parte da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), com destaque para projetos que promovam um ambiente alimentar mais saudável e sustentável para comunidades e seu entorno.

Um exemplo, que está em um texto do próprio editor, é o Banco de Alimentos de Osasco, criado em 2017, que tem crescido consideravelmente em número de fornecedores e pessoas atendidas. Institucionalmente, o banco de alimentos está vinculado ao Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional do município e faz parte do grupo selecionado para compor o Comitê Gestor da Rede Brasileira de Bancos de Alimentos, como conta o Dr. Machado. Em 2021, conquistou o 3º lugar do Prêmio Josué de Castro, promovido pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, na categoria Melhor Programa ou Projeto de Política pública.

Alimentação e Agenda 2030

Em 2015 foi lançada a Agenda 2030, um plano de ação global para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima, e garantir que todas as pessoas possam desfrutar de paz e prosperidade até 2030. A Agenda é composta por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que demandam uma ação conjunta entre todos os países para alcançá-los. O ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) é o que apresenta ligação mais direta com a temática da alimentação, uma vez que busca o fim da fome e da desnutrição, o desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção de alimentos e a manutenção da diversidade alimentar plantada e consumida. Os dados são do artigo Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ambientes alimentares: qual a relação?, de Alicia Sei.

Segundo Alicia, os ambientes alimentares são compostos de fatores individuais (gostos e necessidades pessoais), interpessoais (amigos, familiares e grupos), socioambientais (clima, mídia e hábitos) e políticos (políticas públicas e incentivos fiscais) que influenciam o acesso alimentar e, consequentemente, impactam na saúde e no bem-estar da população. Construir ambientes que propiciem o consumo de alimentos saudáveis em quantidade suficiente, financeiramente acessíveis e culturalmente adequados envolve políticas públicas e setor privado, educação adequada e estímulos sociais positivos. Essa construção é multifatorial e se relaciona com os ODS por ambos serem compostos de aspectos econômicos, sociais, políticos e ecológicos.

Do delivery ao consumo

O artigo ‘Do delivery para o restaurante do bairro: uma troca que vale a pena‘, de Poliana Espíndola, mostra que adquirir comida on-line, especialmente via aplicativos, já faz parte do cotidiano de muitos brasileiros, especialmente desde a pandemia de covid-19. “Aplicativos de delivery, que são serviços de entrega de alimentos e bebidas prontos para consumo, integram o ambiente alimentar digital ou virtual. Neste tipo de ambiente, a ordem e prioridade em que os restaurantes e alimentos são apresentados é o que muitas vezes define o que o consumidor irá comprar. Grandes redes de fast food, por terem preços mais atrativos e altos investimentos em publicidade, deixam seus produtos em destaque, influenciando nosso comportamento de escolha”, escreve a autora, acrescentando que preparações culinárias baseadas em alimentos ultraprocessados são predominantes e há pouca oferta de alimentos in natura.

Outro texto, ‘Ambientes alimentares: o que são e como influenciam o consumo de alimentos’, de Leticia Gonçalves, Poliana Espíndola e Mirelly Amorim, mostra que políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, presente em escolas públicas, ajudam a promover uma alimentação saudável. Contudo, dizem as autoras, a maioria dos estudos sobre ambiente alimentar conclui que a oferta de ultraprocessados no entorno das escolas é alta, também pela facilidade de armazenar, transportar e estocar esses produtos, fazendo com eles estejam presentes até mesmo em estabelecimentos com outros fins. Sobre as universidades, comentam que “não há uma legislação que promova a alimentação saudável, apesar da presença de restaurantes universitários nas universidades públicas contribuir com a garantia do direito humano à alimentação adequada”.

Como evitar o desperdício

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), aproximadamente 30% de tudo que é produzido mundialmente por ano é desperdiçado ou perdido ao longo da cadeia produtiva ou anteriormente à chegada ao consumidor. Parte dessa porcentagem está no armazenamento ou no transporte, e outra está associada ao hábito de consumo da população em geral, resultante das exigências feitas para adquirir o produto, o grau de habilidade para o gerenciar, e nas vendas, onde usualmente o que mais se perde são hortaliças, devido a fatores como calor excessivo, ausência de um bom aspecto ou falta de coloração dos vegetais.

Quem aborda essa dica tão importante nos dias de hoje é Laura Ferreira Eletícia Brito em ‘Como evitar o desperdício de alimentos?’. Segundo ela, evitar o desperdício de alimentos continua ganhando ainda mais espaço na esfera ambiental, social e econômica. “Esta é, inclusive, uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 – Consumo e produção responsáveis. O foco mundial é a redução pela metade do desperdício de alimentos per capita, tanto nos níveis de varejo como do consumidor, além de promover a diminuição das perdas ao longo da cadeia de produção.”

Acesse a notícia completa na página do Jornal da USP.

Fonte: Jornal da USP.

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