Destaque
Projeto ‘A Ciência que Fazemos’: a química por trás do que você come
“Não há nada mais importante do que comida. Todo mundo tem que comer. Isso é prioridade básica. Só tem um problema: em 2050, nós seremos 10 bilhões de pessoas nesse mundo”. Foi dessa forma que o pesquisador Dr. Rodrigo Stephani, do Departamento de Química da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), começou o diálogo com os alunos da Escola Municipal Presidente Tancredo Neves. O encontro foi promovido pelo projeto de extensão e divulgação científica “A ciência que fazemos”.
Instigando a reflexão dos estudantes, o Dr. Stephani explicou que é responsabilidade dos pesquisadores pensar em soluções para os desafios da nossa sociedade – inclusive aqueles que ainda estão no horizonte. Em seguida, apresentou para os alunos uma alternativa que passou longe dos palpites da turma: uma das apostas mais promissoras para oferecer proteína para seres humanos é o consumo de insetos, como baratas, grilos, larvas e moscas. Ainda que atípico no Brasil, essa prática é vista em países como a China, que abriga cerca de 18% da população mundial, adquirida durante um período de escassez de comida vivido no continente asiático.
Já em países do ocidente, essa ideia pode gerar repulsa. Por isso, a proposta é fazer uma espécie de farinha desses pequenos seres para, então, extrair os nutrientes necessários para alimentar a população. O Dr. Stephani levou essa farinha para apresentar aos estudantes; alguns se mostraram abertos para a opção e até questionaram: “que gosto tem?”, o que gerou risos entre os adolescentes e os professores.
A pesquisadora parceira do projeto de pesquisa do Dr. Stephani, Natália Maria Alves, explicou para os alunos: “A intenção é extrair a proteína do inseto, porque a nossa principal fonte de proteína, atualmente, é a vaca. E, para produzirmos um quilo de proteína proveniente da vaca, gastamos cerca de 30 mil litros de água; do porco, 3.500 litros e, do grilo, somente 15 litros.” Alves contou que, a longo prazo, não é sustentável expandir a população de gados para alimentar uma quantidade ainda maior de seres humanos.
Brenda Vitória Rezende, aluna que está no nono ano do ensino fundamental, surpreendeu-se porque não imaginava que pesquisas como essa fossem realizadas tão perto dela. E ainda completou: “Quando penso no campus, lembro só do curso de Letras”. O Dr. Rodrigo Stephani aproveitou para apresentar fotografias e mapas do campus da UFJF para os alunos, dando destaque ao laboratório em que trabalha, que, inclusive, foi alvo de uma explosão em 2016. Depois de muitos esforços, ele e sua equipe conseguiram reformar o local e, junto com a reinauguração, nasceram também novas ideias. Ele assegurou: “Vocês também podem estudar e até mesmo trabalhar aqui um dia. Eu já estive no lugar de vocês e, quando eu ainda era estudante, falaram para eu fazer o Pism. Eu segui o conselho e consegui ingressar em uma universidade pública”.
O encontro foi marcado por vários momentos interativos, curiosos e reflexivos. Os cientistas levaram balas, insetos e até uma bebida láctea que, por meio do próprio pesquisador, continha uma quantidade menor de açúcares. A ideia era que os estudantes compreendessem, na prática, como é possível aplicar a química naquilo que, muitas vezes, é consumido diariamente. Desde a percepção do sabor até a produção dos alimentos, em tudo é possível ver a química acontecer.
Acesse a notícia completa na página da UFJF.
Fonte: UFJF.
Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que cadastrados no Canal Nutrição e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Nutrição, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.
Por favor, faça Login para comentar