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Fiocruz: Lançamento discute fatores biológicos e sociais da obesidade e políticas públicas de alimentação
Discutir aspectos que ajudam a entender por que comemos o que comemos e a produção biológica e social da obesidade, além de analisar políticas públicas de alimentação e nutrição. Com esse objetivo, a Editora Fiocruz lança a mais nova obra da coleção Temas em Saúde: Consumo Alimentar e Obesidade: teorias e evidências.
Escrito pela médica Dra. Rosely Sichieri e pela nutricionista Dra. Rosangela Alves Pereira, o título foi concebido antes da eclosão da pandemia de Covid-19, com a proposta de apresentar as relações envolvidas nos sistemas alimentares, apontando fontes seguras de informação – com base em evidências científicas – sobre a alimentação humana. “Naquele momento, a ideia era tentar explicar por que comemos o que comemos. Ao lado de explicações fisiológicas, combinaríamos as motivações e os movimentos mercadológicos que nos levam ao consumo que temos. No começo da pandemia, nos pareceu que um novo momento estava sendo criado, (..), num momento que era uma retomada de uma alimentação mais saudável”, relembrou a Dra. Sichieri.
Porém, o aumento de casos de Covid no Brasil mudou os rumos do livro. “A proporção que a pandemia atingiu não nos permitiu mais essa visão romântica”, afirmou a autora. “Em virtude de tantas mudanças no panorama brasileiro, o livro perdeu o seu caráter exclusivamente crítico em relação ao modo de produção do comer no século XXI”, complementam as pesquisadoras, no texto de apresentação da obra.
As autoras apresentam, em três capítulos, uma combinação de análises de condicionantes fisiológicos e biológicos sobre o que comemos, assim como o inegável papel da propaganda na forma como consumimos.
No primeiro capítulo, ela propõem uma breve revisão da importância do gosto e do paladar e mostram como a preferência por alguns alimentos foi se modificando no tempo, particularmente pela influência da indústria de alimentos e da mídia, apontando ainda o caráter político das recomendações alimentares.
Em seguida, no capítulo 2, o volume destaca as mudanças de paradigma na compreensão e no tratamento dietético da obesidade, além da discussão de mecanismos gerais relacionados tanto ao consumo alimentar quanto ao ganho de peso.
O último capítulo se debruça sobre uma necessária ampliação relativa ao consumo alimentar e às doenças associadas à alimentação e nutrição. “Apontamos os aspectos dos sistemas de alimentação que estão entrelaçados na produção social da obesidade e da má nutrição, que, em conjunto com a mudança climática, afetam a maioria das pessoas em todos os países e regiões do mundo, configurando uma sindemia”, resumem as pesquisadoras.
A Dra. Rosangela Alves Pereira destaca que os sistemas alimentares estão no centro dessa sindemia – termo que contempla as múltiplas condições adversas que interagem de forma sinérgica explicando o excesso de morbidade em uma população. “Mostramos que a alimentação pouco saudável coloca em risco a saúde e o ambiente. E apontamos que a obesidade, a subnutrição e a mudança climática são compreendidas como uma sindemia global, que afeta quase todos os países e regiões do mundo. Então, nesse livro, nós fazemos a conexão entre esses processos e a forma como nos alimentamos e como a obesidade desenvolve, evidenciando que o sistema alimentar está envolvido no processo de destruição sistemático e organizado dos ecossistemas brasileiros, com a ampliação do agronegócio”, ressaltou a autora.
Ativismo em prol de políticas públicas de alimentação
A obra reúne ainda contribuições e debates sobre recomendações alimentares, conflitos de interesse entre a ciência e a indústria de alimentos, políticas públicas que possam propiciar condições mais favoráveis para escolhas alimentares, além de temas do advocacy (defesa e reivindicação de direitos em torno de uma determinada causa), que engloba o ativismo em prol da alimentação saudável e ética. “Esse trabalho de advocacy é muito importante, pois envolve a denúncia de aspectos que prejudicam a nossa alimentação e a proposição de políticas públicas estratégicas nas áreas de alimentação e de nutrição”, defendeu a Dra. Rosangela Pereira.
Acesse a notícia completa na página da Fiocruz.
Fonte: Fiocruz.
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