Destaque

Dificuldade de amamentar pode ser amenizada com apoio emocional e psicológico

Fonte

Jornal da USP

Data

quarta-feira, 6 julho 2022 13:25

A agente administrativa Gilsene Fogaça Pereira, de Ribeirão Preto-SP, define como impotência o que sentiu por não ter amamentado seus filhos. O drama de Gilsene foi há mais de 20 anos, mas ainda assombra muitas mulheres. A ciência oferece cada dia mais informações sobre o assunto, sugerindo que as respostas podem ser menos tecnológicas e mais de apoio emocional e psicológico.

Especialista em aleitamento materno, o professor Dr. Fábio da Veiga Ued, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, diz que a falta de leite das mães está relacionada à baixa produção do hormônio ocitocina. Também conhecido como o hormônio do amor, por mediar sentimentos de empatia e sensações de prazer e afeto, a ocitocina também é responsável pelas contrações uterinas no parto e pela ejeção do leite na amamentação. Mas, adianta o professor, muitos fatores influenciam a produção de ocitocina. Além da própria sucção do leite pelo bebê, problemas emocionais também contam.

O contato mãe e filho importa e dificuldades como “o desconforto, o estresse, a ansiedade, o medo, a falta de confiança, problemas familiares, todos estes são fatores inibidores que diminuem a produção desse hormônio”, afirmou o Dr. Fábio Ued.

Maior apoio às mães

De acordo com o Ministério da Saúde, o leite materno é a forma mais eficiente e econômica de combater os índices de mortalidade infantil e de proteger as crianças. O aleitamento materno, segundo dados do Ministério, pode reduzir em até 13% a mortalidade em crianças de até 5 anos de idade. Assim, recomenda que a amamentação se estenda até os 2 anos de idade ou mais, sendo exclusiva durante os primeiros seis meses de vida do bebê.

Mas uma recente pesquisa feita com mais de 5 mil mães brasileiras encontrou 19% que não conseguiram amamentar seus filhos. E o índice é ainda maior entre as que não conseguiram amamentar exclusivamente com leite materno até os 6 meses de idade: 31% delas.

Para reduzir esses números, a professora e psicóloga Dra. Cláudia Maria Gaspardo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP,  indica apoio às mães com dificuldades na amamentação, especialmente no aspecto psicológico. A psicóloga lembra que não é só a baixa produção de leite que causa problemas durante esse período, mas também a mastite, mamilos invertidos ou a própria depressão pós-parto. “Essa mãe entra em conflito entre o desejo e a necessidade de alimentar, de nutrir o seu bebê, e a impossibilidade de fazer isso de forma natural, por meio da amamentação.”

A Dra. Cláudia Gaspardo afirmou que é fundamental que as mães entendam que o mais importante é a maneira como a amamentação é realizada, de forma a fortalecer a qualidade do contato mãe-bebê. “Já existem evidências científicas que mostram que o fato da mãe não poder amamentar não impede que seja estabelecido um vínculo afetivo entre a mãe e seu bebê. Esse vínculo vai sendo construído ao longo de uma rotina de cuidados que a mãe estabelece com o bebê.”

A psicóloga ressalta que o fato de o bebê não ter sido amamentado no peito pela mãe não está associado à falta de ligação entre a mãe e o bebê. “É preciso transmitir essa segurança, essa tranquilidade para as mães, de que elas não serão mães inferiores, ou menos mães, por não terem amamentado seus bebês no peito.”

Apoio familiar

O apoio familiar também é um aspecto determinante nesse sentimento de fracasso com relação à amamentação, afirmou a Dra. Cláudia Gaspardo, “muitas vezes, na tentativa de ajudar, opiniões, incentivos para a mãe tentar amamentar aumentam ainda mais a pressão que essa mulher já está sentindo. Por outro lado, o acolhimento, a empatia e uma rede de apoio familiar, para ajudar nas várias tarefas que a mulher desempenha ao cuidar de um bebê, diminuem essa sobrecarga, especialmente quando a mulher se encontra mais fragilizada nesse momento tão importante da sua vida”.

Acesse a notícia completa na página do Jornal da USP.

Fonte: Laura Oliveira, Jornal da USP.

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