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‘Sisteminha’, nascido na UFU, é ferramenta de combate à fome e à pobreza

Fonte

UFU | Universidade Federal de Uberlândia

Data

terça-feira, 17 agosto 2021 10:45

Batizada popularmente como ‘Sisteminha’, a tecnologia social aprimorada na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) utiliza o conhecimento técnico-científico para produzir alimentos em um quintal de, pelo menos, 100 metros quadrados. Ela vem beneficiando famílias de diversos estados brasileiros e de países africanos. Mais recentemente, a tecnologia começou a ser aplicada também em outros países da América do Sul.

Sua relevância se amplia durante a pandemia de covid-19, na qual a insegurança alimentar vem se agravando. No último mês de julho, a publicação do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo”, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), revelou que 2,3 bilhões de pessoas (30% da população mundial) não tiveram acesso à alimentação adequada em 2020.

O ‘Sisteminha’ é versátil, sendo possível a produção de peixes, ovos, galinhas, grãos, legumes, frutas, hortaliças, húmus de minhoca e composto orgânico, entre outros. “É uma metodologia simples, a gente não interfere culturalmente nas famílias, consegue retirar as pessoas da situação de pobreza e miséria em menos de sete meses, as pessoas se tornam menos vulneráveis, garante a alimentação”, resume o criador do Sistema Integrado de Produção de Alimentos, Dr. Luiz Carlos Guilherme, zootecnista, pesquisador da Embrapa Cocais (Maranhão) e ex-professor temporário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A inovação desenvolvida durante o doutorado do Dr. Luiz Guilherme na UFU e que viabilizou o sistema é a simplificação do biofiltro utilizado no sistema de recirculação da água do tanque de criação de peixes. Ele permite a degradação da amônia (tóxica para os peixes), que é transformada em nitrato pela ação bacteriana. Por isso, o tanque, que consegue oferecer água rica em nutrientes para as plantações, é o módulo principal, considerado o “coração” do ‘Sisteminha’.

“Nós conseguimos simplificar o material do biofiltro que reduziu mais de 99% do custo. Essa redução do custo permitiu a gente fazer a criação do peixe em pequenos espaços com garantia de qualidade”, explica Guilherme. “Ainda em Uberlândia, eu consegui associar essa pequena criação à produção de verduras, por exemplo, no sistema híbrido de aquaponia. Depois, conciliamos com a criação de minhocas e outras coisas, até a finalização”, conta o pesquisador.

Em 2008, o zootecnista assumiu o cargo de pesquisador na Embrapa Meio Norte, no Piauí e, em fevereiro de 2021, foi transferido para a Embrapa Cocais, no Maranhão. Foi no Nordeste que ele passou a desenvolver os módulos — que teoricamente eles já tinham sido definidos — e a colocá-los em prática. A iniciativa também passou a ser implantada no exterior.

“Pela Fundação Bill Gates, nós conseguimos ter aprovações de projetos que acabaram beneficiando famílias em Gana e Uganda, inicialmente. Atualmente, a gente tem uma relação muito boa com Moçambique e Angola. Têm também projetos já desenvolvidos em Gana, Uganda e Camarões. Temos contato com alguns países latinos, principalmente com a Colômbia, que já começa também já haver interesse muito grande por meio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em fazer a difusão do ‘Sisteminha’ nas famílias campesinas”.

“Isso tudo nasceu na UFU, a partir do meu doutorado, de 2002 a 2005, uma tecnologia simples, patenteada pela Universidade Federal de Uberlândia e junto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) que foi a entidade que bancou os custos da tecnologia e hoje espalhada. Temos mais de oito premiações. Algumas até internacionais e com foco nesse desenvolvimento da capacidade de gerar segurança alimentar e geração de renda alternativa”, se orgulha o pesquisador.

Acesse a notícia completa na página da UFU.

Fonte: Marco Cavalcanti, UFU.

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