Destaque

Especialista destaca a importância da alimentação saudável durante a Pandemia

Fonte

FAPEAM | Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Amazonas

Data

segunda-feira, 15 junho 2020 15:05

Como ter uma alimentação balanceada em tempos de Pandemia? Embora ainda não exista nenhum estudo científico de algum nutriente específico que possa ajudar na cura ou tratamento da Covid-19, ter uma alimentação saudável ainda é o melhor caminho para o fortalecimento do sistema imunológico, o que poderá ajudar na recuperação de uma possível contaminação.

O Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon) conversou com a nutricionista e doutora em Alimentos e Nutrição, Dra. Geina Faria, que destacou a importância de uma alimentação saudável e equilibrada, principalmente diante do quadro do novo coronovaírus (Covid-19). A Dra. Geina contou com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no mestrado e doutorado por meio do programa (RH – Interiorização) hoje é professora do Curso de Nutrição da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Confira a entrevista.

Qual recomendação para uma alimentação saudável nessa época de Pandemia?

Uma alimentação adequada e saudável é primordial para a manutenção da saúde e contribui para manter o sistema imunológico em ótimas condições. Durante uma pandemia a alimentação necessita do cuidado redobrado, e nesse sentido é importante fazer melhores escolhas alimentares e optar por alimentos frescos e variados, ricos em vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. É fundamental manter também uma boa hidratação. Além disso, devem ser adotadas medidas de higiene para evitar as contaminações.

Quais os alimentos mais recomendados e que ajudam aumentar a imunidade?

Para estimular o sistema imunológico deve-se optar sempre por refeições coloridas e variadas. Alimentos in natura e minimamente processados (frutas, legumes, verduras, cereais integrais, oleaginosas, proteínas) contém vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos que condicionam um sistema imunológico mais eficiente, com menor risco de doenças, desde que essa alimentação seja habitual. Destaca-se que a alimentação adequada e saudável é aliada da imunidade, mas não evita o contágio, por este motivo é importante que sejam adotadas as medidas preventivas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Evitar o açúcar e produtos industrializados seria importante? Por que?

Apesar de durarem mais tempo e serem mais práticos, os alimentos industrializados tendem a ser menos nutritivos, mais calóricos, com maior percentual de gorduras, açúcares, sal, aditivos e conservantes. A alimentação baseada nesses produtos pode comprometer a imunidade e contribuir com o desenvolvimento de outras doenças como obesidade, diabetes e cardiopatias, consideradas fatores de risco para a Covid-19.

Além do impacto na saúde, a maior procura por alimentos industrializados em supermercados prejudica os pequenos agricultores. É importante valorizar circuitos locais de produção e consumo durante a pandemia pois são grandes aliados para uma alimentação adequada e saudável.

Tomar polivitamínicos pode melhorar a imunidade?

A suplementação de vitaminas e minerais deve ser previamente avaliada, orientada e supervisionada por um profissional médico ou nutricionista. Não existem evidências de que consumir quantidades extras de qualquer vitamina/mineral melhore o sistema imunológico ou faça a proteção para evitar deficiências de micronutrientes. Sem necessidade, a suplementação pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares e cânceres. Além do mais, o excesso de nutrientes no organismo pode ser tóxico.

Uma alimentação balanceada é capaz de fornecer os nutrientes nas quantidades suficientes para a manutenção do sistema imune.

É verdade que o consumo de castanha do Pará ajuda na imunidade? Existem outros alimentos regionais que podem ajudar também?

É necessário lembrar que nenhum alimento/nutriente sozinho é capaz de contribuir na imunidade.

A castanha da Amazônia é considerada um alimento com alegação de propriedade funcional devido sua composição nutricional, com destaque para o selênio (poderoso antioxidante), que contribui para prevenção de doenças. Apesar disso, seu consumo não deve ser indiscriminado, para um adulto, recomenda-se ingerir cerca de 55 microgramas de selênio por dia, sendo o limite máximo permitido de 400 microgramas. Uma única castanha possui entre 200 a 400 microgramas. Portanto, quatro a sete vezes mais do que o recomendado por dia. Atenção: uma ingestão prolongada desse nutriente acima do limite pode resultar em uma quantidade excessiva de selênio no sangue, o que leva à condição tóxica.

Uma alimentação variada e equilibrada contendo alimentos regionais como frutas (camu-camu, açaí, tucumã, cubiu, pupunha, etc), vegetais (couve, cheiro verde, feijão de corda, cariru, tomate, jerimum, macaxeira, etc,) e peixes regionais podem contribuir para uma vida saudável. É necessário atentar para as formas de preparo destes alimentos, evitando frituras, excesso de gorduras, sal e açúcares. Temperos naturais também devem ser priorizados.

Qual a importância de reforçar a vitamina C e D nesse momento? Quais os alimentos que podemos encontrar essas vitaminas?

Não existem evidências científicas que aumentar o consumo de vitaminas C e D, por exemplo, protege contra coronavírus.

Alimentos ricos em vitamina C, como camu-camu, acerola e frutas cítricas, devem ser consumidos regularmente, independente da pandemia. É importante consumir as frutas in natura, pois além dos nutrientes, contém fibras que ajudam na regulação do funcionamento intestinal. Frutas descascadas e sucos ricos em vitamina C devem ser consumidos imediatamente, pois durante o armazenamento a vitamina é perdida.

O isolamento social pode contribuir com a baixa exposição solar, levando à deficiência de vitamina D. Essa vitamina é gratuita e pode ser obtida em um saudável banho de sol, nas primeiras horas do dia, visto que os alimentos fontes de vitamina D (carnes em geral, fígado, ovos, leite), não suprem a necessidade diária sozinhos.

A alimentação variada e equilibrada é a melhor alternativa para ingestão de nutrientes essenciais para a imunidade (além das vitaminas C e D). É importante priorizar os alimentos in natura e diversificar ao máximo para aproveitar os nutrientes de cada um deles.

É importante manter o sono regulado para a imunidade?

Existe uma forte ligação entre o sono e o sistema imunológico. O sono que recupera o corpo é fundamental. As necessidades de sono variam de acordo com o indivíduo e com o ciclo da vida, a maioria dos adultos necessita de 7 a 8 horas por noite. Nas últimas décadas, porém, o tempo médio de sono caiu para menos de 7 horas por noite para adultos. Se a pessoa dorme menos do que seu corpo precisa, ela cria uma dívida de sono e consequentemente, a imunidade fica prejudicada. A melatonina produzida enquanto dormimos é responsável pelo fortalecimento do sistema imunológico. Estudos demonstram que quem dorme menos de 7 horas por noite está mais propenso a contrair resfriados e doenças relacionadas, devido à diminuição da imunidade.

Especialistas do sono orientam que no período de quarentena é fundamental manter uma rotina de horário para ir para a cama e para acordar, além de evitar exposição excessiva aos equipamentos eletrônicos antes de ir dormir.

Acesse a notícia com a entrevista completa na página da Fapeam.

Fonte: Jessie Silva, Fapeam.

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