Destaque
Presidente da Embrapa Maurício Lopes – Horizonte de 2050
Fonte
Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Data
quarta-feira, 12 setembro 2018 17:00
Um dos grandes desafios nas análises globais de segurança alimentar é a necessidade de sofisticação de modelos e análises que permitam estimar, de forma confiável, a demanda futura por alimentos. Isso porque teremos uma população cada vez mais numerosa, mais urbana, mais educada, rica e exigente, o que produzirá substancial pressão na produção e na sofisticação de alimentos até meados desse século.
Em passado recente, o mundo já enfrentou e respondeu bem ao desafio de ampliar a produção de alimentos. Segundo a FAO (órgão das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a produção agrícola mais que triplicou entre 1960 e 2015, resultado da ampliação de áreas de cultivo e de produtividade, viabilizadas pelo melhoramento genético, mecanização e boas práticas de produção. No entanto, os impactos decorrentes das mudanças climáticas e do desgaste dos recursos naturais – em especial solo e água – fazem crescer as incertezas e o receios acerca da capacidade de resposta aos desafios à frente.
Outro aspecto a ser considerado é a transição nutricional que o mundo experimentará de forma mais intensa nas próximas décadas, com alterações na demanda por alimentos associadas às mudanças demográficas e ao crescimento da renda. É portanto importante qualificar e estimar a extensão de tais mudanças para que que os sistemas agroalimentar e agroindustrial possam se preparar para o futuro.
Um estudo recente, intitulado “Transição nutricional e a estrutura da demanda global de alimentos”, publicado pela Revista Americana de Economia Agrícola, procura projetar com base em futuros plausíveis no horizonte de 2050, o crescimento na demanda por alimentos associados ao progresso da sociedade, em especial à melhoria de renda. Suas conclusões apontam para a crescente diversificação de dietas à medida que a renda per capita aumenta, com a redução do consumo de alimentos amiláceos ou energéticos, e aumento de consumo de proteínas animais, óleos e gorduras, adoçantes, legumes e frutas.
Outra estimativa importante desse estudo é o aumento de 47% na demanda por alimentos entre 2010 e 2050, o que representa menos da metade do crescimento experimentado nas quatro décadas anteriores. E este crescimento ocorrerá principalmente nos países em desenvolvimento, pois países de alta renda já registram elevados níveis de consumo per capita, além de tenderem a crescimento populacional baixo nas próximas décadas. Além do mais, a mobilização global pela redução no desperdício tenderá a conter demanda por volumes crescentes de alimentos no futuro. A FAO estima que até um terço do alimento hoje produzido se perde ou é desperdiçado antes de ser consumido.
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Fonte: Embrapa. Imagem: Walter Eugênio, Embrapa.
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